Carol Rossetti

Retratos no feminino, em nome do respeito

08 | 03 | 2016   15.15H

É com os lápis que quer tornar o mundo um pouco melhor, sobretudo para as mulheres. Mas foi por acaso que as suas ilustrações no feminino se tornaram um projeto que foi muito além das fronteiras do seu país, o Brasil. À conversa com o Destak, a autora do livro Mulheres - Retratos de Respeito, Amor-Próprio, Direitos e Dignidade, conta como as ‘suas’ mulheres ajudam na luta contra a discriminação.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Quando é que começou a trabalhar neste projeto?

Comecei em abril de 2014. O objetivo inicial era manter-me ativa, criar formas de ter uma disciplina para desenhar. Por isso, criei um post no Facebook onde expliquei que faria um desenho por dia. E como andava a ler sobre o feminismo, decidi fazer a ilustração de uma mulher gorda, com um vestido às riscas e coloquei lá. As pessoas curtiram, partilharam e fiz outra, mais outra e quando vi tinha um projeto em mãos.

De onde vem a inspiração para fazer estes retratos?

Os primeiros temas vieram de experiências de amigas, de parentes e até minhas. Depois, quando o projeto começou a ter mais repercussão, recebi sugestões do mundo inteiro, relatos, ideias para novas ilustrações e então comecei a tratar de assuntos que eu também não conhecia. De repente, os seus desenhos tornaram-se virais. E mereceram destaque, por exemplo, na CNN.

Estava à espera desta visibilidade?

Não esperava nada. Nunca imaginei que as pessoas pudessem curtir a minha página e acompanhar o meu trabalho. Quando começou a acontecer foi uma surpresa muito boa, principalmente quando comecei a dar entrevistas, achei algo muito inesperado.

Qual foi o retrato que teve mais impacto?

Um dos primeiros que eu fiz, que é a Maíra, que tem o cabelo afro, foi muito falada, inclusive é a capa do meu livro.

Houve alguma reação aos desenhos que a tivesse marcado mais?

Marcou-me muito quando desenhei a minha primeira personagem numa cadeira de rodas e uma menina, que tinha deficiência física e usava cadeira de rodas, me mandou uma mensagem. Ela ficou muito feliz, muito emocionada.

Qual é aqui o papel dos homens? J

á recebi muitas mensagens positivas de homens e acho que não é porque o assunto está a ser tratado com uma personagem que é mulher que significa que eles não se podem envolver.

De que forma os seus desenhos podem ajudar na luta pela igualdade de género?

As pessoas vão ler, vão-se identificar e podem sentir-se mais fortes para enfrentar essas questões. É que apesar do consenso de que homens e mulheres devem ser considerados de formas igual, na hora de colocar isso em prática a coisa fica um pouco mais complicada. A cultura acaba fortalecendo alguns aspetos do machismo que a gente nem sempre percebe.

Foto: Carol Vianna
Retratos no feminino, em nome do respeito | © Carol Vianna
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