'Sirumba'

Linda Martini falaram ao Destak sobre o novo álbum

29 | 03 | 2016   12.55H

Linda Martini é uma banda portuguesa de rock com influências de post-rock e punk. O Destak esteve à conversa com Hélio Morais (bateria e voz), que compõe a banda ao lado de Cláudia Guerreiro (baixo e voz), Pedro Geraldes (guitarra e voz), André Henriques (voz e guitarra).

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Depois de Olhos de Mongol (2006), Casa Ocupada (2010) e Turbo Lento (2013) chega-nos a 1 de abril Sirumba, o disco novo, que será apresentado no Coliseu dos Recreios, no dia 2.

Qual foi a parte mais difícil em fazer um quarto disco?

Acho que foi encontrar um mote do disco. Sabíamos que queríamos fazer diferente, mas queríamos perceber o que era esse diferente. Quando se começa nos primeiros ensaios, não se sabe o que se procura, por isso é fácil depararmo-nos com a frustração de não saber o que se busca. O início foi assim, e depois há uma altura em que se desbloqueia e acaba-se por encontrar o mote. Já se tem uma base de quatro ou cinco músicas para continuar o disco.

Qual foi o mote neste caso? 

O mote foi mais estético, mas houve um momento importante que foi quando gravámos o "Dez Tostões", que não entrou no disco. O "Dez Tostões" era diametralmente diferente ao "Turbo Lento", que era todo ele ocupado por guitarras e distorção. O "Dez Tostõe"s era uma música que vivia mais do espaço e era mais minimal, e continuava a soar a Linda Martini. A partir daí percebemos que talvez houvesse um espaço intermédio. Esse foi o início. Depois o "Comer por Doi"s e o primeiro riff do "Unicórnio de Sta Engrácia" e o "Farda Limpa" tenham sido as primeiras estruturas que balizaram o disco.

Não deixa de ser engraçado que o tema que não entrou no álbum é que estruturou de certa forma o disco.

Abriu-nos a perspetiva de que poderia soar diferente e foi um momento muito importante.

Consideram que a sonoridade é diferente, mantendo a identidade dos Linda Martini?

Sim, do ponto de vista de produção a nível de som e em termos de estruturas de canções. Não tivemos um produtor externo, somos muito fechados na nossa sala de ensaios. Mas o Makoto [Yagyu] e o Fábio [Jevelim] acabaram por produzir muito som – guitarras essencialmente – connosco e isso foi importante no resultado final. É um disco que tem espaço para respirar. Com os dois aprimorámos o som e conseguimos ir ao encontro do que tínhamos em mente.

O resultado ficou o que estavam à espera?

Sim, mas é óbvio que nunca fica exatamente igual porque nos somos quatro e cada um tem certamente a sua ideia. Agora, em termos de banda e fazendo uma média de todos, o disco vai ao encontro do que todos esperávamos enquanto banda.

O processo criativo musical é mais em ensaios, e o das letras solitário. É isso?

Sim, basicamente reunimo-nos na sala de ensaios. E agora o André já tem mais disponibilidade porque se está a dedicar mais exclusivamente à música então acabámos por ensaiar e compor bastantes vezes. Isso fez com que os ensaios de composição fossem mais descomprometidos. Não havia aquela coisa de chegar depois de um dia de trabalho à sala de ensaios e ter a pressão de ter de criar em duas ou três horas. Abriu-se a possibilidade de estarmos das 11h às 19h no estúdio. E havia dias em que podíamos só falar sobre músicas e tocávamos meia hora e saia uma música. Noutros dias podíamos tocar oito horas seguidas. Se chegássemos a casa depois de um dia de frustração não era uma pressão tao grande porque havia não estávamos com a pressão do tempo. Em relação às letras é que é mais solitário. O André escreve as letras em casa quando a cidade está toda a dormir. Depois vai partilhando connosco mas o processo criativo é individual.

Porque chamaram "Sirumba" ao álbum?

Era um jogo que jogávamos quando eramos crianças, e há quem chame polícias e ladrões. São seis rectângulos onde circulavam os ladrões que tinham de chegar ao outro lado sem serem apanhados pelos polícias que andavam nos corredores. Nós estudámos todos na mesma escola preparatória. Nós tínhamos a sorte de ter uma Sirumba desenhada no chão da escola e acabou por ganhar um sentimento de pertença de todos porque todos passámos por essa Sirumba.

O que podemos esperar dos próximos concertos?

Vai haver muito Sirumba, porque estamos a apresentar o disco novo. Mas vamos tocar músicas antigas também. Já começa a ficar complicado fazer um set list neste momento, porque já acabam por ser alguns discos e somos quatro, uns gostam mais de umas músicas outras mais de outras. Acaba por ser engraçado e permitir fazer concertos diferentes. Agora estamos com vontade de apresentar as músicas do Sirumba e perceber como ressoam nas pessoas.

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Linda Martini falaram ao Destak sobre o novo álbum | © DR
«É um disco que tem espaço para respirar»
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