Galhardo Leitão, ISN

«Há 5.963 nadadores que podem ser contratados»

07 | 06 | 2016   17.41H

Portugal é dos países do mundo com menos mortos nas praias. A garantia é dada por Nuno Galhardo Leitão, comandante do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), que ao Destak fala sobre as novidades no arranque de mais uma época balnear. Quanto às queixas dos concessionários de praia, em dificuldade para encontrar nadadores-salvadores, fica a garantia de ajuda por parte da Autoridade Marítima.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Os dados mais recentes dão conta de um número de mortes por afogamento dos mais baixos da última década. Que leitura faz destes dados?

A cultura de segurança é um trabalho continuo e persistente, pois nestes últimos 15 anos o ISN tem desenvolvido diversas campanhas de sensibilização que têm tido os seus resultados positivos na diminuição dos casos de afogamento, não esquecendo que a afluência às praias tem aumentado muito e durante um período mais prolongado. Hoje em dia infelizmente ainda se registam alguns casos mortais, mas Portugal é um dos países do mundo com a menor taxa de mortalidade nas praias.

Os números referem também que a maioria das mortes ocorrem em zonas não vigiadas. Como se pode contrariar esta tendência?

Só pelas campanhas de sensibilização é que se consegue diminuir estes registos que ainda temos, pois apesar de vários projetos estarem implementados nestas praias não vigiadas é impossível ter um nadador salvador em cada metro de areal nacional.

O que pode ser feito nos 350 quilómetros de praias não vigiadas?

As praias não vigiadas e consequentemente não concessionadas são a maior preocupação, pois não existe nenhuma sinalização sobre a perigosidade do estado do mar. A Autoridade Marítima tem desde o inicio da época balnear vários projetos complementares com o apoio, em termos de recursos humanos, da Marinha, para que estas praias não vigiadas tenham aleatoriamente uma vigilância efetiva, nomeadamente os projetos com o apoio da SIVA (cedência de viaturas 4x4 de assistência a banhistas) e pela Fundação Vodafone (projeto das moto 4x4). Paralelamente o ISN tem desenvolvido várias campanhas de sensibilização para incutir uma cultura de segurança aos mais novos. Neste âmbito, com o apoio do Lidl Portugal, irá desenvolver uma campanha dirigida aos surfistas que, em Portugal, representam um universo de 150 mil praticantes, para que eles sejam também nestes espaços não vigiados uma mais-valia no salvamento.

Estão na calha mais ações de sensibilização?

Este ano as campanhas irão desenvolver-se à semelhança dos anos anteriores. Mas iremos contar com mais uma campanha apoiada pela Nestlé Portugal. Vamos ter novamente o Verão Campeão e o Surf Salva.

Recentemente os concessionários têm-se queixado da falta de nadadores-salvadores...

Atualmente, e segundo a base de dados existente no ISN dos nadadores salvadores certificados, existem 5.963 indivíduos que podem ser contratados. A Autoridade Marítima, através das Capitanias dos Portos, está disponível para, em caso dificuldade dos concessionários, auxiliar nessa procura. Para o efeito, basta que se dirijam às repartições marítimas da respetiva área de jurisdição. Esta medida vai permitir que os concessionários garantam a assistência a banhistas e que os nadadores-salvadores disponíveis tenham uma praia para desempenhar funções durante o verão.

Não há falta de nadadores-salvadores em Portugal – há um jornal que refere que foram contratados brasileiros?

A vinda dos nadadores-salvadores brasileiros acontece desde 2010, resultante duma parceria com o Brasil. A base deste intercambio é a troca de experiencias e uma oportunidade para ambos os países se aproximarem nesta área especifica.

Que mensagem deixaria aos portugueses, para que esta possa ser uma época balnear calma?

A praia é um lugar de descanso e todos queremos que seja segura, pelo que frequentem praias vigiadas cumprindo as regras elementares de segurança, pois ‘água pelo umbigo sinal de perigo’.

Foto: João Miguel Rodrigues
«Há 5.963 nadadores que podem ser contratados» | © João Miguel Rodrigues
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