Jeff Kinney

«Gosto quando um miúdo me desafia»

28 | 06 | 2016   20.11H

O ‘pai’ do mais famoso banana do mundo não dá certezas, mas avança com a possibilidade de podermos ver Greg Heffley em formato televisivo. Para já promete que vai continuar a escrever até que se acabem as piadas.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Greg Heffley dispensa apresentações ou não fosse o protagonista da coleção infantojuvenil mais vendida em Portugal. É um rapaz, igual a tantos outros, com dúvidas, incertezas, dramas e vai regressar, no dia 1 de novembro, com novas aventuras. O 11º volume da saga de O Diário de Banana vai voltar aos escaparates, mas Jeff Kinney, o seu ator, falou ao Destak sobre outras surpresas que o banana mais famoso do mundo tem reservadas para o público infantil.

Vem aí um novo O Diário de um Banana, o 11º. Como é que consegue material para tantos livros?

Há sempre novas histórias para contar! Eu acho que o universo d’O Diário de um Banana é grande... afinal, estou a contar histórias de infância. Há sempre novas memórias a serem criadas e novas descobertas a fazer.

É fácil escrever para crianças, sobretudo numa altura em que a atenção dos mais pequenos parece mais virada para o virtual, em que os livros têm que lutar para conquistar o seu espaço?

Uma criança consegue perceber quando um livro é mesmo muito especial. E o papel dá uma ideia de permanência, com os livros a tornarem-se uma parte muito especial da infância. Um livro tem substância, enquanto uma coisa que vemos num ecrã parece menos permanente, mais efémero. Greg Heffley não é nem o rapaz mais popular, nem o mais bonito, nem sequer o mais esperto.

Será mais fácil para os miúdos sentirem-se mais próximos dele por causa disso, identificarem-se com ele?

Eu acho que os miúdos se revêm no Greg porque ele não é um herói. De uma certa forma, é um miúdo como tantos outros, uma página em branco através da qual uma criança consegue observar o mundo.

Confessou recentemente que, quando terminou o 10º livro, se sentiu numa encruzilhada. Como assim?

Primeiro, eu era um escritor desesperado para conseguir ser publicado. Depois de o ter conseguido, o que queria era manter-me uns tempos, para provar que aquilo não tinha sido um acaso. Agora que já escrevi dez livros, olho para o futuro e penso: devo parar? Devo escrever alguma coisa nova, diferente? Acho que os miúdos ficariam muito tristes se parasse e eu também. Penso que estou a meio da minha carreira.

Referiu, noutras entrevistas, que parte da inspiração lhe vem da sua infância e adolescência. E os miúdos de hoje? Não o inspiram?

Hoje em dia é mais difícil conseguir material novo. Confio muito mais na minha imaginação. É um desafio e um desafio que eu aceito.

Até quando é que vamos ter O Diário de Um Banana? Já pensou no momento de parar?

Se conseguir escrever mais dez livros acho que seria uma grande conquista. Mas se não conseguir escrever piadas de grande nível, então paro. Gostava de ler quando era miúdo?

Quais eram os seus livros preferidos?

Gostava de ler, sim, e sobretudo de histórias que contavam a transição para a idade adulta, romances de fantasia como O Hobbit, J. R. R. Tolkein.

Já vimos o Greg no cinema. Podemos esperar vê-lo, algum dia, como figura de desenhos animados numa série de televisão?

Sim! Estamos a preparar um especial de televisão, que possivelmente poderá vir a ser uma série. Já deve ter conhecido milhares de jovens fãs.

Houve alguma crítica de algum um deles que lhe tenha dado que pensar?

Gosto quando um miúdo me desafia. Conheci uma criança com autismo no outro dia que era crítico face ao meu trabalho em geral, mas gostou muito do 9º livro – que é uma história apenas, de uma viagem em família. Ele gostou do facto de eu me ter mantido focado num enredo em vez de várias histórias aleatórias. Acho que é uma crítica válida e vou manter isso em mente!

Foto: DR
«Gosto quando um miúdo me desafia» | © DR
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