1º dia do 22º SBSR

As saudades que eles já tinham do público nacional

15 | 07 | 2016   13.10H

Fez-se de regressos, de amores e saudades declaradas ao público português, de parabenizações à Seleção Nacional, de poucas surpresas e alguma nostalgia, a primeira noite do 22º Super Bock Super Rock, ontem, no Parque das Nações. Fez-se de calor tropical, de acústicas melhoradas, de músicas estreadas e outras reencontradas.

Patrícia Naves | pnaves@destak.pt

Ao segundo ano no Parque das Nações, a nova casa do SBSR sente-se já familiar para os festivaleiros e, num recinto alargado e melhorado, parecem resolvidos os ligeiros precalços do primeiro ano, sobretudo em termos de trocas de pulseiras e entradas. Também entre os quatro palcos a circulação parece mais fácil e constante, pese embora os atrasos na entrada das bandas no palco EDP, durante toda a noite de ontem.


No Palco Super Bock, as honras de abertura couberam aos australianos Temper Trap, que embora confusos com a sua ausência dos palcos lusos- eles falaram em 6 anos, nós contamos 4 desde Paredes de Coura- não se cansaram de elogiar e declarar as saudades que já tinham, não desta alegre casinha mas dos fãs portugueses.

De tranças, Dougy Mandagi começou logo por dizer que a tal ausência tinha sido longa demais e que o concerto ia ser divertido, até porque «não é todos os dias» que tocam numa arena- a Meo Arena, neste caso. Temas mais antigos como Love Lost ou Down River , intercalaram com as músicas do novíssimo álbum, e sempre com excelente voz e uma acústica estranhamente boa, mesmo as novas pareceram melhores ao vivo do que no registo discográfico- porque, admita-se, o sucesso de um álbum como Conditions, quase perfeito como um todo, ainda não conseguriam replicar.


No mini épico, também de Conditions, Soldier On, houve quem entoasse o tema todo de olhos fechados e em puro êxtase, mas foi na reta final, primeiro com o Science to Fear e depois com Sweet Disposition, entre elogios a Portugal e à seleção portuguesa, sala mais cheia, que o público foi ao rubro.

Os The National, para muitos claramente o nome mais aguardado da noite, atuaram para uma Meo Arena não lotada mas já bastante cheia, e foram também prolíferos em elogios ao País e público nacional. Se os Temper Trap se despediram a dizer que iam ter saudades nossas, Matt Berninger e companhia pegaram na tocha e entraram logo a dizer que as tinham tido, as tais saudades, The Smiths a entoar nas colunas do palco.

«Everything I love is on the table», começam logo a cantar no primeiro Don’t Swallow the Cap, e não será tudo tudo nem estará numa mesa, mas naquela sala está sem dúvida um público que parecem genuinamente adorar, uma história mútua (de carinho e respeito por mútuas nostalgias, arriscamos nós), que já vem prolifera em concertos e anos, mais de dez para ambos os casos.

Com direito a canções inéditas, que nos parecem numa linha muito semelhante aos últimos registos, foi no entanto em temas como Afraid of Everyone, England, I need My girl, Fake Empire, Mr. November, Terrible Love e, no final a fechar, Vanderlyle Crybaby Geeks, com direito a coros e entoação do tal público adorado após o fim, que se viveram momentos mais fortes.

Com as obras na Meo Arena já iniciadas, a acústica parece melhor e o concerto dos The National deu tempo para tudo: para sonhar, reviver, dançar, refletir. Não terá sido a passagem mais épica deles por Portugal, mas também não foi certamente motivo de decepção.

Com problemas técnicos ao ínicio, os Disclosure fecharam em festa e dança o primeiro dia do palco principal, numa atuação com direito a instrumentos musicais e a convidados, White Noise a abrir.

Palco à beira rio plantado
No Palco EDP, protegido do sol abrasador pela Pala do Pavilhão de Portugal, Surma e Lucius abriram ontem para uma audiência ainda parca, mas quando os Villagers entraram em cena, já havia não só público como grupos de fãs da banda irlandesa. O concerto começou morno, mas The Pact (I'll Be Your Fever) marcou o crescendo numa atuação agradável e consistente.

No mesmo palco, Kurt Ville, ao começar atrasado, teve de competir com a preocupação de muitos em chegar a horas aos the National, mas não foi por isso que o norte-americano se atrapalhou, com um belo momento rock, Pretty Pimpin em momento alto. Neste palco, e também a ‘competir’ com os The National mas claramente com muito público próprio – quem sabe muitos ali só para o ver- Jamie xx, uma metade dos brilhantes The XX, teve casa cheia.

Noutros palcos, DJ Shadow, Benjamim e Samuel Úria foram pontos altos, do que se conseguiu espreitar, entre a correria de tentar ver tudo no primeiro dia do 22º ano deste festival que já nos trouxe passeios marítimos, coliseus e Mecos. Agora, mesmo ao segundo ano na sua nova casa, ainda nos faz constantemente lembrar, e ainda bem, a saudosa Expo 98.

Saiba mais sobre:
Foto: Nuno Andrade
As saudades que eles já tinham do público nacional | © Nuno Andrade
The Temper Trap
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE