Entrevista

Courtney Barnett: “Sou uma alma velha”

15 | 07 | 2016   14.53H

A australiana Courtney Barnett atuou no 2º dia do NOS Alive, a semana passada. Mesmo sem ser cabeça de cartaz foi uma das artistas de indie rock mais promissoras no festival. Ao Destak falou das canções que escreve desde os 11 anos e desvalorizou a atenção e os prémios já recebidos: Grammy e Brit Award.

João Tomé | jtome@destak.pt

Calma, humilde, pouco interessada em falar sobre a fama mas pronta para falar do que a apaixona, escrever. Falámos com Courtney Barnett, jovem australiana de 28 anos, horas antes de um concerto na Dinamarca, a semana passada.

Quem é Courtney Barnett? Uma das artistas mais genuínas e inspiradas dos últimos tempos. A voz calma, desapegada e reflexiva mas que também se dá bem com o rock mexido, mistura o estilo grunge com o indie rock e mais umas quantas inspirações.

As letras contam histórias são tão introspetivas quanto irónicas. Foi essa originalidade que lhe valeu já este ano o Grammy de Melhor Nova Artista e de Melhor Artista a Solo Feminina nos Brit Awards. O álbum Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit levou-a também a entrar no Tonight Show de Jimmy Fallon.

Via-se chegar tão longe quando começou a compor e cantar em Sidney? Como tudo começou a nível musical? 

Nem por isso. É um mundo muito grande, com muitas possibilidades. Não almejo grandes objetivos. Mas aconteceu e é bom. Comecei por tocar guitarra aos 10, em Sidney. Mas só comecei a conseguir fazer alguns concertos locais aos 18, já a viver em Hobart. Ouvia música muito diferente. Comecei com Jimmy Hendrix pela forma como tocava (ambos são canhotos), letras e pelo ‘coolness’ dele. Depois ouvia desde Nirvana até PJ Harvey, Patti Smith, Talking Heads. Mas também gostava dos álbuns de jazz do meu pai e a música clássica da minha mãe. E depois comecei a ouvir Beatles. Tudo me ajudou a criar o meu som. Tinha uns 11 quando comecei a escrever canções. Sempre quis escrever as minhas músicas, embora nunca me considerei grande letrista.

O que a costuma inspirar no som de uma canção ou nas letras? A sua música tem algo de genuíno, cruo, antigo...

A minha vida e o dia a dia é o que inspira. Estou sempre a escrever canções. Mas ouço muita música e também leio muito, por isso tudo se vai enraizando em mim. Ou seja tudo o que me rodeia me inspira. Não penso muito em definir a minha música. Aconteceu assim. Eu sigo o que gosto. Sinto que não sei muito da história da música mas sei que sou uma alma velha por isso talvez esse lado antigo da minha música. Depois leio muitas biografias, tanto de músicos como de artistas em geral.

As letras por vezes parecem poemas do quotidiano. Despretensiosas. Gosta e escreve poesia?

Adoro poesia. Leio e escrevo muita poesia. Muitas vezes não sei o que estou a escrever. Começa como um poema e torno-o numa canção. Ou vice versa. As palavras são boas para relaxar e comunicar.

Ficou surpreendida por o seu estilo ter recebido tantos elogios e ter ganho prémios como os Grammy ou Brit?

Sim e não. Simplesmente não penso nisso. Acho que na verdade não interessa. De certa forma é bom por me permitir continuar a viver disto e perceber que as pessoas se ligam ao que faço de várias formas. E é bom poder percorrer o mundo e cantar para elas.

Sente que o seu álbum Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit marca a sua boa forma?

Tudo o que lancei a nível musical faz parte de mim e do momento. Este último álbum são dois anos da minha vida. Fiz dois EPs antes. Todos são tão importantes. A música está sempre a evoluir. Senão não valia a pena (risos).

Já é a segunda vez em Portugal, depois do Primavera Sound no Porto em 2014. Agora tem mais canções e popularidade. O que podemos esperar de diferente?

Gostei muito do Porto, foi um belo dia, embora estivesse a chover. Não quero pressionar ninguém sobre o que pensar ou esperar de mim. Estou apenas entusiasmada por tocar em sítios diferentes, que as pessoas ouçam e gostem, saltem de vez em quando ou abracem as pessoas ao seu lado. Vai ser bom.

Gosta da experiência do concerto? Os públicos reagem de forma diferente à sua música de país para país?

São diferentes por todo o lado. Toda a gente tem a sua cultura ou a sua energia. Adoro tocar por todo o mundo. É uma oportunidade fantástica poder ver sítios diferentes e pessoas de outras culturas. E as pessoas cantarem comigo. É ótimo.

Houve algum concerto especial nos últimos tempos?

Acabei de tocar num festival na Austrália, a norte, chamado Barunga, mesmo no mato, foi muito bom e especial. Um calor abrasador. As pessoas costumam libertar-se mais quando está calor mas quando é tão elevado chegam a ficar exaustas e ter de ficar paradas. Gosto mais do frio para viver. Em Melbourne temos frio, felizmente.

Gosta de voltar com frequência a casa, em Melbourne, para descontrair?

Sem dúvida. Vamos a casa uma vez por mês, mais ou menos, não gosto de estar em digressão muito tempo seguido.

É lá que tem ao viver a vida normalmente começa a pensar em canções?

Para mim todos os dias são canções. Estou sempre a escrever canções ou a escrever. Há sempre alguma coisa a decorrer que me faz escrever.

Tem alguma ou algumas músicas especiais?

Adoro Kim’s Caravan ou Small Poppies, que são mais calmas. Gosto de todas senão não as gravaria. Algumas significam mais do que outras.

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Foto: Lusa
Courtney Barnett: “Sou uma alma velha” | © Lusa
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