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Margarida Vieitez

«Partilhar tarefas prepara para vida mais satisfatória»

24 | 04 | 2009   10.22H

Diz o ditado que é de pequenino que se torce o pepino. A máxima é válida quando se trata das tarefas domésticas?

Sem dúvida, tendo sempre em atenção a fase de desenvolvimento em que as crianças se encontram.

De que forma é que se pode educar para as actividades do lar? É que estas tarefas não serão as mais apelativas…

É natural que a maioria das crianças veja estas tarefas como algo aborrecido, pois esta é a ideia que a maioria dos pais transmite. Assim, primeiro é preciso que os pais comecem a encará-las como algo que tem que ser realizado, não necessariamente de mau humor, mas que até pode ser divertido. Depois, é preciso que sensibilizem os filhos para as realizarem, conversando e explicando porque é tão importante que participem (porque a mãe estará menos cansada e mais disponível para brincar, ir ao cinema, passear) e deixando-os experimentar.

Que tarefas podem ser levadas a cabo pelas crianças?

Quando se tratar de crianças de tenra idade (dos 3 aos 6 anos), os pais poderão incentivá-las a ajudar a arrumar os brinquedos e o quarto, a pôr e tirar a mesa, ou a ajudar a fazer a cama. Quanto às entre os 7 e os 12 anos, os pais poderão sugerir que arrumem o quarto de banho depois do banho, que façam a cama, que preparem o pequeno-almoço e o lanche, ou ainda que coloquem a roupa suja no cesto, mas sempre dando prioridade àquelas tarefas que sejam da sua preferência.

E quanto aos adolescentes, talvez a fase mais complicada?

É muito importante que os pais os sensibilizem para conseguirem desempenhar uma grande diversidade de tarefas, como aspirar, lavar a louça, colocar a roupa na máquina, passar a roupa e lavar o chão... de forma a que gradualmente se vão tornando mais autónomos.

De que forma é que esta partilha contribui para um reforço dos laços familiares?

Muitos dos conflitos conjugais e parentais ocorrem porque não existe qualquer partilha das tarefas domésticas. Assim, uma distribuição equitativa dessas responsabilidades vai facilitar a gestão do dia-a-dia, melhorar as relações entre todos e possibilitar que estreitem os laços afectivos existentes.

Numa época em que o tempo é sempre curto, como se pode criar o momento de partilha?

Não existe uma receita que sirva para todas as famílias, porque todas são diferentes, mas posso afirmar que o principal "remédio" para a falta de partilha é a comunicação. Os pais devem falar com os filhos, explicando que esta é também uma das formas de demonstrar o quanto gostam uns dos outros.

Muitos pais e mães consideram que os rapazes não devem ser educados para as actividades do lar. Como se combate este tipo de mentalidade?

Creio que os pais mais jovens já possuem a preocupação de ensinar os filhos desde cedo a participarem nas tarefas de casa, pois também eles já partilham a maioria das responsabilidades. A mentalidade é algo que evolui, sensibilizando e informando as famílias de que partilhar tarefas prepara para uma vida futura mais satisfatória e menos dependente.

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Campanha apela à co-responsabilidade

Chama-se Com Quantas Mãos Conta lá em Casa e é uma campanha que decorre de Norte a Sul do País até domingo, apresentando um conjunto de dicas para a partilha das tarefas domésticas.

Com o patrocínio da Fairy, Ariel, Tide, Pantene e Continente, tem como grande objectivo «sensibilizar os pais para os inúmeros benefícios que decorrem da partilha das tarefas do lar para toda a família, e muito especialmente, para as crianças» dos 2 aos 17 anos, explica Margarida Vieitez.

Os interessados recebem ainda um guia de co-responsabilidade - 'Educar partilhando as tarefas da vida familiar' -, para «reforçar o sentido de responsabilidade, de confiança e estimular a perseverança».

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt
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