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Diabetes

O fim das picadelas no dedo

12 | 09 | 2016   11.01H

Monitorização da doença tornou-se mais fácil, com uma nova tecnologia que evita as picadelas nos dedos dos doentes.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Há 22 anos que Maria de Lurdes Frade pica os dedos. Não uma, mas várias vezes ao dia. Hoje, com 60 anos, a diabetes de que sofre obriga-a a três injeções de insulina diárias e seis picadelas de dedo para avaliar os níveis de glicose. «Custa tanto», admite ao Destak. Por isso, não tem dúvidas quanto lhe perguntam como seria viver sem ter que picar o dedo: «imagino que deve ser o paraíso!». É isso que oferece uma nova tecnologia, que chega ao País. Mas que não é para todos.

Com um custo de €169,90 (o kit), mais €59,90 por cada sensor, cuja duração é de 14 dias, esta é uma tecnologia que apenas alguns podem pagar. «Uma injustiça», classifica Maria de Lurdes Frade, que apela a uma comparticipação do Estado. José Luís Medina, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia e Francisco Carrilho, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia pedem o mesmo. A decisão está agora do lado do Infarmed, que se encontra, segundo Paulo Sousa, responsável da Abbott, que comercializa o produto, a avaliar a situação.

Manancial de informações

«Para quem, há muitos anos, acompanha o dia a dia dos doentes diabéticos e partilha não só a parte clínica mas humana desta doença, que pesa muito na vida das pessoas, quando falávamos sobre o futuro, falávamos de dispositivos semelhantes a este», partilha Francisco Carrilho, que não hesita em classificar a novidade como «disruptiva», capaz de reduzir os episódios de hipoglicémias e melhorar a qualidade de vida.

Por isso, lança um desafio: que por cá seja possível aceder à tecnologia, «sendo seguro que com esta acessibilidade vamos ter uma redução dos custos com a saúde».

«Um avanço notável»

Com recurso a uma tecnologia «única», o FreeStyle Libre, o primeiro medidor de glicose que evita as picadas nos dedos e que começa a ser comercializado em Portugal na próxima semana, é composto por um sensor, que deve ser colocado na parte posterior do braço, e um leitor que recolhe a informação. E tem indicação para todos os diabéticos mas sobretudo para os do tipo 1 e do tipo 2 que fazem insulina.

«Um avanço notável», garante José Luís Medina, e capaz de «melhorar a qualidade de vida dos doentes», oferecendo três tipos de informação: «sobre o perfil de glicose nas últimas horas, o valor presente e a tendência de futuro. Uma vantagem, já que avisa sobre os ajustes necessários».

Foto: 123RF
O fim das picadelas no dedo | © 123RF
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