Novo álbum

Fomos conhecer melhor a 'Menina' de Cristina Branco

13 | 09 | 2016   12.50H

Com edição marcada para a próxima sexta-feira, 'Menina' marca o regresso de Cristina Branco aos discos. Este novo trabalho conta com doze temas novos e muitas parcerias tanto nas letras como nas músicas. Descubra o novo álbum, através desta conversa com o Destak. Além das apresentações internacionais, Cristina Branco já tem uma série de concertos no País. Entre eles, destaque para Matosinhos, a 29 de outubro.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Qual o conceito e a ideia que está por detrás deste título Menina? Este é um disco no feminino, se quiser feminista. O título partiu de um sonho que tive com o quadro As Meninas do Velasquez. Com a mistura de sentimentos que estavam a emergir achei que poderia ser um bom título, uma vez que falava de mulheres, de pequeninas. No fundo, nos vários estádios da nossa vida - desde pequeninas até maiores de idade - somos sempre meninas.

O que quer dizer com um disco feminista? É uma afirmação da mulher. Não é de todo depreciativo. O termo feminista já foi depreciativo e hoje em dia não é de todo. É uma afirmação da mulher, que está exatamente no mesmo sítio e não precisa de se debater pela sua identidade. Estamos onde temos de estar. É acreditar que se está no sítio certo.

O disco é sobre a mulher ou são de certa forma mensagens para as mulheres? É um disco sobre mulheres, sobre as facetas da mulher, as idades, o estar bem ou estar menos bem, o positivo, negativo ou melancólico. Este disco põe as mulheres ao espelho.

Com tanto por dizer sobre as mulheres, não teve vontade de escrever pelo menos uma música? Não acho que consiga conceber o meu nome entre os nomes que escrevem para a música. Cada vez menos faz sentido misturar o meu nome enquanto autora, porque eu sou a intérprete dos meus discos. Não renego a ideia de um dia escrever, mas não sei se será para mim.

Consegue então rever-se perfeitamente nas palavras que os outros escrevem para si? Sim, completamente, é um exercício que faço há uns bons anos.

Este disco tem tantos convidados que é difícil escolher.. Pois são de facto muitos. Temos o André Henriques dos Linda Martini, o Nuno Prata, Cachupa Psicadélica, Filho da Mãe, Luís Severo. Também temos uns mais clássicos no meu repertório como Mário Laginha, António Lobo Antunes, Ana Bacalhau, Luís Martins, Pedro da Silva Martins. É só escolher! Todos eles têm algo a dizer nesta Menina. E depois temos toda uma geração que vem da música indie, que transporta uma frescura para este disco. Tínhamos o objetivo comum de falar da mulher, só que eles dão o seu cunho pessoal e uma melancolia própria da sua música. Há um piscar de olho que mostra que não são tão diferentes do fado como parece.

É um disco que se presta muito a saltar para o palco? Absolutamente. É um disco muito vivo, pujante e afirmativo, que torna naturalmente fácil de pôr em palco.

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Sobre os temas
Como foi juntar as letras e as músicas?
As letras e as músicas foram parcerias entre os autores e a maioria trabalhou em conjunto. Alguns foram responsáveis por ambas. O meu trabalho e o dos meus músicos foi feito à posteriori depois de música e letra terem sido entregues juntas.

Há alguma música que a toque particularmente? Nesta fase todas as músicas têm o seu papel e o desempenham de forma protagonista. Não tenho filhos queridos aqui, todas as meninas são as minhas preferidas.

Saiba mais sobre:
Foto: PEDRO FERREIRA
Fomos conhecer melhor a 'Menina' de Cristina Branco | © PEDRO FERREIRA
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