Música

'Tasca Beat' traz Oquestrada aos discos

28 | 04 | 2009   13.45H

Como nasceu o projecto?

O projecto nasceu quando eu e o Pablo decidimos assentar em Almada e como gostámos muito do bairro decidimos fazer um musical portátil. Encontrámos os músicos certos e ficou uma orquestra de bairro, de bolso. A partir de 2002 começámos a ir à procura de um Portugal profundo e verdadeiro e desde aí temos desenvolvido o nosso trabalho por vários palcos.

O que há de diferente na vossa música?

É uma música pouco preconceituosa, atenta a quem a faz e muito partilhada pelos outros. Os nossos primeiros palcos foram as tascas e sítios muito íntimos onde pudemos partilhar com o público. Marcamos também a diferença porque não começámos o projecto com a intenção de gravar, fazer um álbum ou editar. Foi realmente, desde o início, um projecto musical muito próprio com e para as pessoas. Ao longo de sete anos o público pediu muito este álbum. Fizemos alguns registos mais caseiros, um deles foi uma maquete feita na cozinha, que foi passada ao público.

Ao fim de sete anos sentimo-nos com vontade de ir para estúdio. Foi uma experiência maravilhosa. Ao fim e ao cabo, este tempo marcou a nossa música por termos vivido uma aventura em Portugal. A aventura de organizarmos a nossa música e conseguirmos viajar com ela sozinhos e independentes.

Qual é o conceito do que vocês intitulam de fado dos subúrbios?

Essa é uma das abordagens. Nós vivemos nos subúrbios e foi lá que o projecto começou. Falamos do fado dos subúrbios como um destino que pode ser mudado. Se formos para um subúrbio em Paris ouvimos as mesmas línguas que aqui, ouve-se o crioulo, o português, o francês... Mas também intitulamos a nossa música como Tasca Beat, uma nova batida portuguesa. Temos um bocadinho de dificuldade em classificar a nossa música.

A gravação deste novo projecto era um sonho vosso?

Não o vemos assim. Fazer o álbum é uma consequência. O nosso sonho era encontrar um país e apresentarmo-nos frente-a-frente, sem televisões, sem imprensa e foi assim que vivemos uma aventura portuguesa. Ao fim de sete anos foi uma consequência natural, até porque a pressão era muito por parte do público.

Porque é que escolheram a música «Oxalá te Veja» para single?

Porque é quase uma espécie de celebração a uma geração mais velha que a nossa e que teve uma grande garra para viver este país e soube trabalhar muito bem. É dedicado a todas as pessoas para agarrem o seu futuro. No Oxalá te Veja é dito: «Glória à Hermínia, ao Marceneiro e tais fadistas. Glória à ginjinha, ao medronho e à Revista» que são coisas que estão a desaparecer e que gostávamos que ficassem, porque podem ter um futuro muito promissor.

O vosso trabalho é tipicamente português?

É de um português que cresceu a ouvir rádio portuguesa, portanto que cresceu a ouvir uma rádio estrangeira. Mas o resultado é essencialmente português com toda a influência que o país vive.

Só ao fim de sete anos é que fez sentido gravar um álbum?

Estes sete anos foram uma aventura de encontro com Portugal, uma aventura para conquistarmos a nossa música. Achámos também que era um desafio e uma paixão haver um contacto directo com as pessoas sem passar por outros meios.

Como é que esperam que este álbum seja recebido?

Esperamos que as pessoas gostem, acho que é o que qualquer músico pode querer.

Inês Carranca | icarranca@destak.pt
Foto: DR
DR | © DR
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