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Série documental

'60 Dias Dentro' de uma prisão sob disfarce

09 | 10 | 2016   14.22H

Na próxima segunda-feira, pelas 22h30, o canal Crime+Investigation estreia, em exclusivo, a série documental 60 Dias Dentro. Trata--se de um projeto televisivo arrojado, concebido a partir de uma ideia do xerife Jamey Noel, que imaginou introduzir numa das prisões mais perigosas dos EUA sete voluntários inocentes. Por lá, viveriam como verdadeiros reclusos, durante 60 dias, sem que ninguém, incluindo o pessoal interno da prisão, soubesse o que se passava.

Ao longo de 12 episódios, a experiência foi documentada através de trezentas câmaras, filmando os participantes 24 horas sobre 24 horas. «Estes voluntários ajudaram-nos a identificar lacunas de importância vital no sistema, que não foram detectadas por trabalhadores infiltrados. Não poderíamos estar mais satisfeitos comos resultados deste novo programa», conta o xerife Jamey Noel.

Entre as cobaias desta inovadora experiência sociológica e televisiva encontram-se Maryum, a filha mais velha deMuhammad Ali (ver entrevista), trabalhadora social especializada em violência nas ruas; Jeff, vigilante que quer ser funcionário das prisões; Barbra, jovem mãe casada com um militar e com dificuldades económicas; Zac, que está a estudar para ser agente da polícia; Robert, um professor; Tami, uma agente que já fez trabalho infiltrado; e Isaiah, irmão adolescente de um detido.

A mais velha dos nove filhos de Muhammad Ali segue as pisadas do pai na dedicação às causas de cariz humanitário. Com a lenda do pugilismo aprendeu também a defender-se, confessa nesta conversa em exclusivo com o Destak.

Porque aceitou participar neste projeto?

Passei os últimos 15 anos a tentar impedir que muitos miúdos fossem para a cadeia, por isso, pensei que poderia aprender algo com esta experiência, ouvindo as histórias das mulheres na prisão.

Teve medo do desconhecido?

Estava muito nervosa perante o desconhecido, pois sabia que ia ter de viver num pequeno espaço com outras 23 mulheres que, de facto, foram detidas. Rezei para que não criassem conflitos comigo. O meu plano era respeitá-las para obter algum respeito de volta. Mas estava preparada para me defender se fosse caso disso. O meu pai ensinou-me alguns movimentos de boxe defensivos. Sou simpática e doce, mas, se tiver de ser, dou cabo deles. Escolho sempre o caminho pacífico, mas se me levam ao limite, alguém vai ter sarilhos.

O que foi pior: lidar com as detidas ou com os guardas?

Estava mais preocupada com as detidas porque era um convívio constante, dia e noite. Respeito a autoridade e não estava a contar ter problemas com o staff. Sempre que lidei com membros do staff mais maldosos, ignorei-os.

Na sua opinião, quais são os principais problemas do sistema prisional?

Dado que as prisões têm falta de funcionários, os presos têm muito poder quando não estão a ser vigiados. Este tipo de isolamento dá espaço a mau comportamento e a várias atividades ilegais. Outro problema é a falta de programas de reinserção na sociedade.

Vera Valadas Ferreira | vferreira@destak.pt
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Foto: DR
'60 Dias Dentro' de uma prisão sob disfarce | © DR
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