Pixies

«Não nos esforçamos, não forçamos nada»

12 | 10 | 2016   12.44H

“Vintage Pixies” é como soa o álbum por cá testado ao vivo no Festival Nos Alive e que o Porto apreciará na totalidade num concerto em novembro.

Vera Valadas Ferreira | vferreira@destak.pt

Fomos dos primeiros e poucos a ouvir em primeira mão Head Carrier, o novo álbum da banda de culto liderada por Black Francis a.k.a Frank Black a.k.a. Charles Thompson. Eis o primeiro registo dos Pixies com Paz Lenchantin na guitarra-baixo. Ela é quem tem agora mão neste trio de rapazes, como admitem ao Destak o guitarrista e o baterista do grupo.

Num dos temas novos dizem que «nada vem do nada». De onde vieram estas canções?

Joey Santiago (JS) – Vem tudo do Charles e depois a bateria surge naturalmente…
Dave Lovering (DL) – Sim… tivemos bastante tempo para trabalhar nestas canções. Em estúdio, cada um acrescenta a sua parte. Desta feita, tivemos tempo para aprimorar tudo.
JS –Quando nos juntamos, é impossível não soarmos a nós próprios… não nos esforçamos,
não forçamos nada. Essa é amelhor parte…

Como tiveram mais tempo em estúdio não temeram pensar demasiado as canções?

DL – Não, até porque sou lento e foi maravilhoso ter esse tempo para me sentir confiante.
O tempo foi perfeito, na medida certa, nem muito nem pouco.
JS – Foi a primeira vez que tivemos três semanas para gravar!

Houve quem definisse este álbum como “vintage Pixies”. Este CD marca um regresso às vossas raízes?

JS –Absolutamente…

Nesse sentido, é um álbum mais apaixonado que o anterior Indie Cindy (2014)?

DL – São animais diferentes. No Indie Cindy estivemos muito separados na fase de pré-produção. Tivemos outro produtor. E, claro, o problema coma baixista. Este é muito mais coeso. Tivemos oito semanas de pré-produção, pelo que conhecíamos bem as canções. Foi mais natural.
JS – Este é muito mais luminoso. Foi uma experiência PAZitiva.

Ela foi assim tão determinante?

DL– Sim. A sua aura é tudo. Enche a sala. Até o nosso comportamento foi bom (risos).
Alguma vez pensaram em convidar outro homem para a banda em vez de uma baixista?
DL – Pensámos nisso durante um segundo (risos).
JS –Mas depois pensámos “onde raio estamos coma cabeça?!?” Seria como substituir o Brian Johnson (voz dos AC/DC) por uma mulher.

Concordam que este álbum é uma espécie de road movie?

JS– Sim! Ouço-o a cada dois dias, sobretudo quando conduzo. Estou muito apaixonado por ele.
DL – É muito fácil de ouvir. Sou muito crítico comigo e gosto do que fiz neste álbum, do resultado. Tirando isso, não tenho muito o hábito de ouvir Pixies.

Quando ouvimos um tema vosso, ou mesmo um solo de um de vocês, sabemos de imediato que estamos perante os Pixies. Como explicam isso?

JS – Foi preciso muito tempo e chega a ser stressante fazer o que faço como músico, porque nem sempre percebo o que se passa na minha cabeça. Às vezes, não resulta ou não presta, outras vezes é divertido.
DL– Há uma forma de tocarmos que é inata, que ninguém nos disse para fazermos, mas também aprendemos com os anos e com a experiência. Esta é a única forma que sabemos e já o fazemos há muito tempo. As coisas são como são.
JS – Procuramos aquilo que o Charles nos apresentou que é o conceito dewabi-sabi: termo japonês que define o erro com intenção. É de propósito que procuramos esse elemento. Sim! Encontrámos essa centelha.

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«Não nos esforçamos, não forçamos nada» | © DR
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