Luís de Matos

«A atração pela magia tem a ver com fazer algo inexplicável»

08 | 11 | 2016   16.53H

No ‘Livro dos Segredos’, o reputado mágico português ensina-lhe tudo o que precisa saber para se tornar um mestre da ilusão. Depois de uma digressão pela Europa, planeia o regresso à televisão. Ouvi-lo falar de magia é constatar a atração por truques e ilusões, mas também pelas histórias curiosas desta arte.

Vera Valadas Ferreira | vferreira@destak.pt

Como surgiu o projeto deste livro?

Em 1995, escrevi um livro e estava na altura de escrever outro. Os livros continuam a ser veículos privilegiados para passar conhecimento e encontrar novos apaixonados. Coleciono livros de magia – tenho cinco mil e tal, e o mais antigo é de 1597 – e é sempre com dor que vejo que os livros publicados não têm um cuidado muito grande. As ilusões ensinadas são quase sempre as mesmas, são quase brincadeiras. A ideia do livro andou a pairar nos últimos quatro/cinco anos. Há dois anos, tive uma ideia que resolvia o conflito interior de folhear um livro e ver logo a resolução dos truques. Tentei proteger o coração da ilusão. Não queria ter o livro envolvido em celofane porque nos obriga a julgá-lo pela capa. Encontrei um sistema: as pessoas podem na mesma folhear o livro e descobrir 50 ilusões divididas por cinco capítulos. Podem tomar conhecimento de factos e curiosidades mais ou menos desconhecidos, como por exemplo o facto de o Almirante Gago Coutinho ser mágico. O motivo das páginas serem seladas também tem o lado de estimular a capacidade de sonhar. Incluímos um DVD em que executo perante um público todas as ilusões.

Também indica sites de referência. Que importância tema Internet para a partilha de conhecimentos mágicos?

Tem uma importância extrema, mas é um pau de dois bicos. A Internet permitiu um acesso transversal à arte mágica, o que é ótimo porque quanto mais pessoas conhecerem segredos maior será a cultura de respeito. Mas essa democratização faz com que possamos ver um miúdo de 7 anos a explicar um truque. Até é engraçado, mas com essa idade deve estaraensaiar.Em2009, tentei contrariar isso: como as novas gerações estão nos computadores e tablets, tentei injetar conhecimento de peso à escala global, criando o primeiro congresso internacional de magia para a Internet, o Essencial Magic Confere. Para reduzir a percentagem de má magia e pedagogia online.

Esse seu interesse nas histórias da magia é causa ou consequência do gosto pela magia em geral?

É consequência. A causa da atração pela magia tem a ver como poder fazer algo que é inexplicável aos olhos dos nossos colegas do jardim de infância, pais, tios e avós, no emprego. Esse interesse ganhou uma seriedade ao ponto de se converter numa profissão. Tem algum tipo de truques preferido? Gosto de fazer tudo. O meu entendimento da arte mágica é não tanto em relação à sua forma final, mas por aquilo que ela pode fazer acontecer. Não importa se é um número de transmissão de pensamentos ou cortar alguém a meio, levitar ou prever o futuro. Tudo o que materialize uma assumida impossibilidade para mim é válido. A magia é mais uma forma de comunicar.

Ainda tem prazer em ver um show de magia?

Tenho imenso prazer. O que acontece é que compro dois bilhetes. Assim, na primeira vez foco-me na experiência de espetador e na segunda posso ser mais analítico em termos técnicos.

Para quando o regresso à televisão?

Espero que para o ano. Sempre fiz TV por gosto. Desde os anos 90que sempre tive por objectivo que oque fizesse em TV fosse o meu melhor naquele momento. E, para voltar a ter algo que possa competir com isso, temos de esperar por conhecimento artístico e inspiração. Sempre resisti a uma continuidade desgastante. Estou reparado para um novo desafio. Para o ano, é a altura certa para bater à porta de um canal de TV com produto novo que estou a escrever.

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