Ricardinho

«Amava voltar ao Benfica mas atualmente acho impossível»

18 | 11 | 2016   15.47H

Realista e já com pouca esperança de voltar à Luz ou vencer um Mundial por Portugal, o mágico do futsal fala-nos da carreira, das lições e da sua nova Academia para ensinar os mais jovens.

João Tomé | jtome@destak.pt

Tem 1m65 e um pé esquedo que lhe valeu a alcunha de Mágico. Aos 31 anos, Ricardinho já foi considerado o melhor do mundo do futsal em 2010, 2014 e 2015 – o seu rival nessa luta é também seu agora amigo, o brasileiro Falcão. Ao Destak fala de sonhos e da realidade.

O futebol sempre foi uma paixão? Quando é que se começou a destacar?

O futebol de 11 sempre foi uma paixão e tinha um desejo enorme em ser um ídolo. Desde os 5 que me diziam que tinha um talento enorme e deveria mostrá-lo numa equipa mas aos 12 acabou-se o sonho quando me disseram [no FC_Porto] que era pequeno demais. O futsal só surgiu os 14 mas hoje começar nessa idade é tarde. Cada vez mais, felizmente, vejo crianças a começarem no futsal aos 6 e 7 anos isso é fantástico.

O futebol de 11 ficou mesmo de lado?

Ainda mantive o sonho futebol de 11 vivo. Aliás, sempre esteve, mesmo quando já era atleta profissional na modalidade, até que surgiu o segundo balde de água fria quando representava o Benfica, ao sair uma notícia que iria estar algum tempo com a equipa principal, o que depois acabou por não acontecer. Aí encerrei o assunto definitivamente.

A passagem pelo clube Benfica mudou as suas preferências clubísticas. Gostava de voltar?

O Benfica tornou-se um amor eterno, um respeito sem dimensão e um orgulho universal. Mudou a minha vida profissional e pessoal em todos os sentidos para melhor! Amava voltar mas com a política financeira que se tem no clube e em Portugal, acho impossível o regresso.

O que aprendeu, mais gostou e menos gostou na passagem pelo Japão?

Aprendi a lidar melhor com a derrota. A ser mais cordial e educado com os rivais. Não gostei da pouca competitividade do campeonato e da falta de criatividade desportiva mas amei a forma como vivem o dia-a-dia, a educação, a limpeza, e que a palavra vale mais do que qualquer contrato.

Agora em Espanha no famoso Inter está a ser uma experiência repleta de títulos. A relação com o mundo do futsal espanhol é boa?

O Inter sempre foi um sonho, desde cedo. Sempre foi a melhor equipa do mundo, a que mais ganha e a que sempre teve os melhores jogadores. Por isso foi a concretização de um sonho mas também senti a pressão ter de fazer com que a equipa voltasse a vencer depois de cinco anos sem uma conquista importante. Felizmente adaptei-me bem, ajudaram-me a mostrar o meu jogo, respeitaram-me e o sucesso tem sido uma constante. Adoro estar neste clube e nesta cidade [Madrid].

As únicas diferenças entre os clubes portugueses e espanhóis são financeiras?

Não, vão além disso. Hoje em dia já se vê muitas crianças em Portugal a começar cedo no futsal, o que antes era impensável. Espanha seguem bastantes passos à nossa frente em tudo, na formação, na mentalidade competitiva desportiva, essencialmente.

A rivalidade com Falcão para ser melhor do mundo já vem de longe. São amigos hoje em dia?

O Falcão sempre foi um ídolo, não só para mim, mas para todos os amantes do futsal. Tem um estilo de jogo que encanta e com o qual eu me identifico. Hoje, além do grande respeito, admiração, e o trabalho que temos em prol do futsal, somos amigos, o que é fantástico. Jogar com ele era um sonho tornado realidade mas penso que isso só acontecerá num evento desportivo amigável, porque a oportunidade de jogarmos juntos num clube já não se realizará.

O que faltou à Seleção no último Mundial? Ainda quer ser campeão?

Faltou experiência competitiva, e ter conseguido aproveitar uma oportunidade quase única. Infelizmente não conseguimos, mas estamos felizes com o nosso trabalho. Sempre sonhei ser campeão mundial mas… confesso que será muito difícil se realizar. Ainda não estamos mentalmente preparados para conseguir esse título.

Tem agora o projeto de Academia de Futsal. No que consiste?

Chama-se Academia de Apuramento Técnico de Futsal Ricardinho & Ortiz e arrancou no domingo. É uma Academia de aperfeiçoamento técnico, onde crianças e jovens vão poder apurar as suas técnicas de remate, passe e drible. A 1ª é em Madrid mas já temos acordos fechados com países como Portugal, Coreia, Dubai e Japão. Estou entusiasmado.

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Foto: Fernando Ferreira
«Amava voltar ao Benfica mas atualmente acho impossível» | © Fernando Ferreira
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