'Her'

Conheça o novo álbum de Rita Redshoes

29 | 11 | 2016   10.46H

O quarto álbum de estúdio de Rita Redshoes chama-se 'Her' e foi gravado em Berlim. Além de grandes músicos, o disco conta com três temas em português. Rita Redshoes convidou músicos como Knox Chandler, Earl Harvin, Greg Cohen e o produtor Victor Van Vugt.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Como foi a experiência em Berlim, onde ainda esteve algum tempo a gravar?
Estive um mês e meio com algumas interrupções. Foi uma experiência diferente, porque nunca tinha estado fora a gravar um disco e nunca tinha estado tanto tempo longe de casa e do País. Foi uma experiência muito intensa por isso mesmo, porque de repente passei inúmeras horas sozinha e outras no estúdio com o produtor e os músicos. Depois vinha para um quarto de hotel e foi difícil distanciar-me um bocado do disco. Estava sozinha na cidade e estava ali com aquele propósito, não me senti propriamente em viagem.

Por outro lado, ajuda para estar focada?
Sim, há esse lado obviamente mas ao fim de um mês e meio confesso que o estar focada não faz tão bem. Mas claro que por outro lado tinha uma alegria imensa porque estava pela primeira vez fora do meu País a concretizar um sonho, a trabalhar com pessoas que eu admirei desde adolescente e isso sobrepôs-se ao faco de estar fora de casa, sem a nossa comida e sem a luz de Portugal.

Como surgiram as colaborações com essas pessoas que tanto admira e de que forma enriqueceram o seu trabalho?
A escolha caiu primeiro sobre o produtor Victor Van Vugt. Depois os músicos que viriam a gravar o disco foi uma escolha dele. A primeira escolha foi o Knox Chandler que fez os arranjos de cordas. Eu queria um disco clássico e então decidimos basear o disco nas cordas, que é o processo inverso ao normal. Só depois juntámos o resto dos instrumentos. Esta escolha e mesmo do Greg Cohen e do Earl Harvin foram no fundo músicos com um curriculum absolutamente incrível e que mostraram interesse também em gravar o disco e estavam em Berlim na altura.

Essa forma gravar com base nas cordas é a principal mudança em relação aos seus três álbuns anteriores?
Essa é certamente uma das grandes mudanças. O que eu pretendia antes de gravar o disco era regressar ao lado clássico, onde dou primazia à música que existia mais no meu primeiro disco. Parti para a composição deste disco com a minha essência mais clássica em mente. Fazer as coisas desta forma marca muito o que é o disco e o caminho das próprias canções que quando são compostas a um piano com voz ou com guitarra podem ir para mil caminhos diferentes e depois há que saber escolher o que se quer. Eu queria sobretudo um disco emocional, com esta sonoridade clássica mas com o atrevimento do contemporâneo.

O resultado final ficou exatamente como tinha concebido?
Umas coisas eu esperava, mas outras surpreenderam-me pela positiva. A maravilha de trabalhar com outras pessoas é que também perdemos um bocadinho o controle das coisas e elas podem surpreender-nos. Houve uma canção que quando a compus na minha cabeça estava longe do que acabou por ficar, que é Desire But No Fire. Imaginei a música de uma determinada forma e quando começámos a gravar com o baterista e o baixista, começou um ritmo que levou a música para outro caminho. Ainda estou muito apaixonada pelo disco!

Disse que perdeu um bocadinho o controlo, mas a Rita é que fez um pouco de tudo, desde compor, cantar, tocar..
Já nos outros discos tocava, até porque esse é o meu ponto de partida. Não me vejo tanto como uma cantora, vejo-me mais com uma compositora. Ser instrumentista é o meio que encontro para exprimir o que quero contar, seja piano ou guitarra ou outro instrumento. Neste disco resolvi assumir todos os pianos e as guitarras.

É um desafio ter três temas em português?
Surgiu naturalmente mas é sem dúvida um desafio porque é novo. Em 2012 fiz um espetáculo em que interpretava canções escritas por mulheres e uma delas era da Xana na sua carreira a solo. O retorno que tive ao fazer a interpretação em concerto foi muito tocante e muito forte. Pela primeira vez senti que não tinha a barreira da língua e gostei muito do que senti. E ficou de alguma forma a fervilhar. E a verdade é que a primeira canção que compus para este disco que foi o tema Vestido surgiu naturalmente num dia em que eu estava ao piano. Nasceu de uma forma muito espontânea e genuína. Na arte, respeito muito o que sai naturalmente, nem que seja para errar.

Há alguma canção mais especial para si?
Há uma música que fiquei muito contente de gravar e a forma como me chegou e o que ela representa no disco que é o tema 'Mulher'.

Este 'Her' é a Rita, uma parte de si, outra pessoa ou nada disto?No fundo, este Her são todas as pessoas – mulheres e homens – que se identificam com o feminino, nas suas variadas formas e possibilidades. É um disco autobiográfico, como todos os meus outros discos, mas senti-me na pele de outras figuras femininas e quis falar um bocadinho com essa voz. Homens e mulheres podem ser feministas.

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Conheça o novo álbum de Rita Redshoes | © DR
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