UNICEF

Quase um quarto das crianças passa infância em zonas de conflito

11 | 12 | 2016   14.50H

Mais de 500 milhões de menores vivem em regiões afetadas por guerras. E muitas sem acesso a cuidados.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

São imagens que chocam. Que impressionam e que revoltam. Mas a verdade é que se sucedem, mês após mês, ano após ano, mostrando crianças vítimas de guerra. As mais recentes vêm da Síria, onde os miúdos se tornaram peões numa guerra que nunca foi sua. Mas há mais, muitos mais, 535 milhões ao todo, quase uma em cada quatro crianças, que vivem em países afetados por conflitos ou catástrofes, muitas vezes sem acesso a cuidados médicos, educação de qualidade, nutrição adequada e proteção.

Os números são da UNICEF, apresentados num relatório que volta a denunciar a forma como estes inocentes continuam a ser tratados. Uma denúncia que alguns fizeram, em forma de testemunho e na primeira pessoa, na noite da passada quarta-feira, via Skype.

Diretamente de uma igreja católica em Alepo, na Síria, um grupo de crianças, cristãs e muçulmanas, contou as suas histórias e respondeu às questões colocadas pelo vice-presidente do Parlamento Europeu e pelo enviado especial para a liberdade e religião da União Europeia. Falaram sobre a guerra que, ao longo de cinco anos destruiu cerca de 3.000 escolas, deixando 2,9 milhões de crianças em idade escolar sem possibilidade de aprender e que, segundo a UNICEF, obriga 500 mil a viver em 16 zonas sob cerco no país, praticamente sem acesso a ajuda humanitária.

Mas é mais longe, na África subsariana, que vivem perto de três quartos (393 milhões) de todas as crianças em países afetados por situações de emergência. Segue-se o Médio Oriente e o Norte de África, onde residem 12%.

Risco de doenças e exploração

Quando se prepara para assinalar 70 anos de trabalho para as crianças mais vulneráveis do mundo, a UNICEF revela que «o impacto dos conflitos, das catástrofes naturais e alterações climáticas está a obrigar as crianças a abandonar as suas casas, a encurralá-las por detrás de linhas de confrontos e em risco de doenças, violência e exploração».

Contas feitas, são cerca de 50 milhões as crianças que «foram desenraizadas» e, destas, mais de metade forçadas a abandonar as suas casas devido a conflitos. No nordeste da Nigéria, por exemplo, há 1,8 milhões de deslocados, quase um milhão dos quais crianças. No Afeganistão, quase metade das crianças em idade escolar primária não têm acesso à educação; no Iémen, cerca de 10 milhões vivem em zonas afetadas pelo conflito e no Sudão do Sul, 59% das que estão em idade escolar primária estão fora da escola.

Foto: DR
Quase um quarto das crianças passa infância em zonas de conflito | © DR
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