Novo disco com músicas de Chico Buarque

António Zambujo contou-nos tudo sobre 'Até Pensei Que Fosse Minha'

13 | 12 | 2016   11.15H

António Zambujo editou 'Até Pensei Que Fosse Minha', um disco inteiramente construído nas canções de Chico Buarque, que conta com o próprio músico brasileiro, Roberta Sá e Carminho.

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

O músico alentejano que já piscava o olho à música brasileira, assumiu-a como parte da sua história musical com este álbum, onde encontramos 16 temas de Chico Buarque, escolhidos entre cerca de cem.

Como é que se lembrou de fazer um álbum só com canções de Chico Buarque?
A música brasileira sempre teve um papel importante na minha formação, enquanto músico e intérprete. A determinada altura teria de passar por ela de uma forma mais intensa. Embora nos discos anteriores tenha cantado músicas de autores brasileiros contemporâneos ou não. Nesta altura acabei por me aproximar mais do Chico. Estava no Brasil na altura em que decidi fazer o disco. Tudo isso fortaleceu a ideia de fazer este disco nesta altura.

Sendo a música brasileira uma das suas grandes influências como conseguiu escolher entre tantos e bons nomes? O Chico Buarque foi a escolha óbvia e fácil?
O Chico é um dos maiores autores de sempre da história da música cantada em português, então acabou por ser uma escolha mais ou menos fácil. Haveria outras influências sem dúvida, mas acho que o Chico se sobrepunha a qualquer uma delas.

E selecionar as músicas também foi fácil?
Ah, essa parte foi a mais difícil. Eu tinha à volta de cem músicas e depois fui cortando, também com a colaboração das pessoas que fizeram o disco comigo, o Marcello Gonçalves (guitarrista), o João Mário Linhares (produtor executivo) e o próprio Chico, que sugeriu para gravar algumas. Em conjunto fizemos esta seleção final.

Mas entre elas havia algumas que eram obrigatórias?
Sim sem dúvida, por exemplo João e Maria ou Tanto Mar, que é a música que mais se identifica com Portugal. O Sem Fantasia era um tema que eu cantava muito e tenho um dueto com a Roberta Sá. Estas por exemplo eram praticamente obrigatórias, para as outras houve mais flexibilidade.

Há um grande desafio em dedicar um álbum inteiro a músicas de um outro cantor?
Para mim foi a primeira vez e achei que tinha de ser, que fazia todo o sentido.

Sem ser esta que é mais óbvia, quais foram as grandes diferenças entre este disco e os anteriores?
Tentámos trazer um bocadinho as músicas para o nosso universo musical, para não ser uma diferença tão grande. Naturalmente tem diferenças. O facto de termos o Marcello na guitarra, o facto de as músicas do Chico Buarque já terem sido gravadas anteriormente, tudo isso faz com que tenha algumas diferenças mas eu tentei que fosse uma evolução o mais natural possível. Daí o título do disco, porque acabámos por nos apropriar das músicas e gravar de uma forma completamente diferente das originais.

Foi estranho cantar músicas brasileiras sem o sotaque brasileiro?
Houve uma altura em que pensámos mudar um bocadinho para ser mais parecido com o português de Portugal mas depois não me preocupei muito com isso. Deixei ficar como estava para obedecer à escrita original.

Além da Roberta Sá, conta com do próprio Chico Buarque e de Carminho. Como correram estas participações?
Com a Roberta Sá já cantávamos muito O Sem Fantasia há muito tempo e achei que fazia todo o sentido tê-la no disco, até porque temos uma relação muito próxima. O próprio Chico foi um bónus, porque não esperava que participasse. Veio dar uma outra luz ao disco. Em relação à Carminho, achei que aquela música se enquadrava bem na forma que ela tem de cantar os temas. E felizmente, ela aceitou o convite.

É de alguma forma reconfortante saber que Caetano Veloso, outro grande nome da música brasileira está rendido ao seu álbum?
É sempre bom saber que há pessoas que gostam do que nós fazemos. No caso do Caetano ainda mais porque é uma pessoa que idolatro há muitos anos. Saber que ele gosta da minha música é uma sensação maravilhosa.

Os próximos concertos vão ser mais focados nestes temas?
Em março será feita a primeira apresentação em Portugal, na Gulbenkian. A partir daí fazemos então a digressão.

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