Estreias

Do poema trágico 'Manchester by the Sea' ao videojogo-filme 'Assassin's Creed'

05 | 01 | 2017   13.04H

A primeira semana do ano traz-nos um dos potenciais filmes dos Óscares - Manchester by the Sea - e a adaptação ao cinema do videojogo Assassin's Creed, com um Michael Fassbender em alta rotação.

João Tomé | jtome@destak.pt

Como é que uma história tão simples, a de Manchester by the Sea, se pode tornar tão visceralmente emocional e profunda?

A resposta está num nome, Kenneth Lonergan. O guionista de Gangs de Nova Iorque que escreveu e realizou Podes Contar Comigo (ambos os filmes nomeados para Óscares), filma pouco mas quando o faz consegue algo único e agora pode voltar a ser um dos protagonistas dos Óscares.

Nesta espécie de poema trágico, bem duro emocionalmente mas cativante, a premissa diz-nos que um tio (Casey Affleck, que tem tudo para ser nomeado pelo desempenho subtil mas poderoso, de uma vida) é encarregue de cuidar do sobrinho (Lucas Hedges) após a morte do pai. É importante neste filme vivermos a experiência da história, daí não contarmos mais pormenores da sinopse.

As cenas mais intensas e tristes têm pouco diálogo – são ‘regadas’ com música clássica –,num filme que medita como poucos sobre a dor da perda e é um dos prováveis nomeados para melhor filme nos Óscares.

Aventura/ação
Assassin's Creed

Outra das estreias da semana é esta frenética adaptação do videojogo Assassin's Creed, um fenómeno de popularidade que foi lançado em 2007 e tem tido várias continuações. O filme tal como a saga de videojogos e os romances (os jogos deram origem a livros), centram-se na batalha entre duas ordens, os Assassinos e os Templários, cujos objetivos são a paz embora tenham formas diferentes de o atingir.

Os Assassinos acreditam no livre-arbítrio. Os Templários querem o controlo da humanidade para acabar com a violência.

Michael Fassebender é o criminoso Callum Lynch, num desempenho intenso e complexo, à sua medida. Lynch é salvo da pena de morte e usado por uma fundação secreta para que possa reviver as memórias de um seu antepassado do final do século XV, em Espanha, durante a Inquisição Espanhola. O objetivo? Tentar encontrar um artefacto que, acreditam os Templários, pode acabar com o livre-arbítrio da humanidade.

Realizado pelo australiano Justin Kurzel, o filme tem conceitos interessantes e bons momentos proporcionados por um elenco de respeito e cativante. Ou seja, supera a maior parte das fracassadas adaptações de videojogos que se têm visto, mas o excesso de CGI numa história previsível e de guião pouco elaborado fazem do filme entretenimento sem grande chama.

Marion Cotillard, Jeremy Irons, Brendan Gleeson e Charlotte Rampling fazem parte do bom elenco.

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Zeus

Paulo Filipe Monteiro realiza este drama português baseado na história verídica de Manuel Teixeira Gomes (Sinde Filipe), o sétimo presidente da República Portuguesa. Depois de ter sido escritor de, entre outros, literatura erótica, Teixeira Gomes foi presidente do país aos 65 anos mas após 26 meses no cargo, nos anos 1920 e numa altura de ascensão do fascismo, decide abandonar o país num cargueiro chamado "Zeus" e viver exilado no Norte de África, onde viria a morrer 15 anos depois. Ivo Canelas, Catarina Luís e Paulo Pires também participam.

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Foto: DR
Do poema trágico 'Manchester by the Sea' ao videojogo-filme 'Assassin's Creed' | © DR
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