Imigração

Lisboa conquista nova geração de chineses

22 | 01 | 2017   13.25H
As celebrações do novo ano chinês estão a decorrer este fim de semana na Almirante Reis e no Martim Moniz e a Câmara de Lisboa volta a apoiar a iniciativa que é considerada uma das melhores a nível europeu, e que mostra que a integração desta que é já a segunda maior comunidade estrangeira a residir na capital atravessa tempos áureos.
Patrícia Susano Ferreira | pferreira@destak.pt

«Os vistos Gold e a consequente abertura de Portugal à China foram o grande motor de arranque para uma nova aproximação entre os dois países» que hoje se faz de sangue novo. A nova geração de chineses que escolhe Lisboa fá-lo, sobretudo, pela «tolerância e hospitalidade» reconhecida ao nosso país e há muitos que planeiam construir família e por cá ficar, explica ao Destak a diretora pedagógica do Portal Martim Moniz, uma vasta plataforma online que fornece apoio jurídico, linguístico e imobiliário.

Língua é o maior entrave

Prova dessa vontade de ficar é o facto das escolas privadas terem «cada vez mais alunos chineses» nas suas salas de aulas. E esta geração, sim, está curiosa e mais aberta a conhecer os portugueses e a sua cultura, mas a língua continua a ser um entrave. «O português é muito difícil», admite Xintong Yu, que veio há um ano para Lisboa com a sua família. A comida e os horários e duração das refeições –mais demoradas por cá – são outras das dificuldades apontadas.

Mas há quem já se tenha adaptado e feito dos nossos hábitos os seus. Elisa Chuang, que está cá há 32 anos, admite que toma café todos os dias, demora mais nos almoços e já tem a capacidade para «perceber a forma mais emotiva que coloca nas relações laborais». Sim, porque o povo chinês é, por regra, mais discreto.

Ensino Superior reconhecido

A língua só se torna menos difícil para os que vieram para cá estudar, como é o caso de Kong Mengya, que se apaixonou por Lisboa e depois de um ano de Erasmus voltou para fazer mestrado. No seu caso, foi a timidez que dificultou a integração, mas hoje tem amigos portugueses e gostava de por cá ficar após terminar o curso.

«O céu azul, o sol, as praiasmaravilhosas, o melhor marisco» e a simplicidade e a simpatia dos lisboetas são, para a jovem de 22 anos, alguns dos grandes trunfos da capital. A qualidade do ensino e o valor das propinas são outras caraterísticas que conquistam os estudantes chineses, como é o caso de Jingyang Huang, que, aos 31 anos e depois de trabalhar em Angola, veio para Lisboa para melhorar o seu português.

Diferenças geracionais

Já Minglei Zheng lembra o abismo que separa a sua forma de viver e de se integrar com a dos pais. «[Eles] são muito tradicionais, mantêm apenas uma relação comercial com os portugueses. Já a minha geração tem uma mentalidade mais aberta.» Para o futuro, não se imagina a sair de Lisboa até porque se identifica mais com o “nosso” ritmo de vida: «mais calmo».

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Foto: Patrícia Susano Ferreira/Destak
Lisboa conquista nova geração de chineses | © Patrícia Susano Ferreira/Destak
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