Lesões vertebro-medulares

Devolver a esperança a lesionados

05 | 02 | 2017   10.40H

O trabalho de uma equipa da UMinho pode abrir caminho para a regeneração de lesões medulares.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

António Salgado gosta de comparar a espinal medula a uma autoestrada, capaz de ligar o cérebro ao resto do corpo. Uma autoestrada que, fruto de traumatismos na zona, pode ser cortada, com consequências, as mais visíveis a nível motor. É com esta autoestrada que o investigador, ligado ao Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde e à Escola de Medicina da Universidade do Minho, em Braga, juntamente com colegas internacionais, tem trabalhado, numa tentativa de reverter as limitações motoras dos lesionados vertebro-medulares. E com bons resultados.

«O que pretendemos com este trabalho é precisamente reverter o processo, ou seja, induzir a regeneração ao nível da espinal medula, de forma a que algumas dessas ligações nervosas, destruídas no processo traumático, possam ser restabelecedidas e haver um ganho de função nas pessoas afetadas.»

Um trabalho que teve início há três anos e que começou com uma primeira fase, in vitro, passando agora para a fase in vivo, com recurso a ratinhos. Foi nestes que se reverteram parcialmente as limitações motoras, resultantes de lesões na espinal medula e que se conseguiram «melhorias significativas na cicatrização, no tratamento da inflamação e no crescimento de novos axónios (condutores dos impulsos nervosos)».

A publicação na revista Biomaterials detalha a nova estratégia, que «consiste na transplantação de dois tipos de células (estaminais do tecido adiposo e gliais do bolbo olfativo), encapsuladas num hidrogel biodegradável. Este último protege as células no processo de transplantação, permitindo em simultâneo estabelecer novas estruturas nervosas, cujo crescimento é induzido pelas duas populações celulares».

O desafio é grande, assim como o trabalho pela frente, que visa a aplicação nos lesionados vertebro-medulares, o que «poderá implicar melhorias do ponto de vista funcional e também de qualidade de vida».

Foto: © Destak
Devolver a esperança a lesionados | © © Destak
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE