Lançamento

David Fonseca conta-nos tudo sobre 'Bowie 70'

21 | 02 | 2017   10.26H

O desafio foi-lhe lançado e David Fonseca escolheu 13 músicas de David Bowie. Para cada uma fez uma versão personalizada para o cantor que convidou. Para ele, o destino guardou Lazarus. Assim nasceu o disco de tributo "Bowie 70".

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Afonso Rodrigues, Ana Moura, Aurea, António Zambujo, Camané, Catarina Salinas, Márcia, Marta Ren, Manuela Azevedo, Rita Redshoes, Rui Reininho, Tiago Bettencourt e o próprio David Fonseca emprestam a sua voz a alguns dos temas mais emblemáticos de David Bowie.

Como é que se lembrou de fazer este tributo? A ideia foi da presidente da Sony, Paula Homem. A ideia era fazer alguma coisa com o repertório do Bowie e queria que eu estivesse junto dessa ideia. Depois de debatermos um bocadinho, chegámos à conclusão que podíamos fazer algo como acabou por ser feito. Mas para ser sincero no início disse que não, porque era muito difícil fazer um disco de versões do David Bowie. Mas depois acabei por experimentar em casa, disse-lhe que sim e comecei.

Porque achava difícil fazer um disco de tributo a David Bowie? Porque sou um fã gigante de David Bowie. Lembro-me de ouvir desde os 12/13 anos. Nem sabia ao certo como poderia fazer versões de músicas que me eram tão próximas e que me disseram tanto, durante tantos anos. Entretanto pensei que já fiz versões de tanta gente que achei «porque não fazer também de David Bowie?». Um disco que é claramente uma homenagem de um fã, nunca poderia correr mal porque seria feito com uma intensão muito emocional.

Ao mesmo tempo sente uma grande responsabilidade? Claro que sim, mas acho que o objetivo era simples. Nnão queria reinventar canções, queria fazer uma homenagem minha com a forma como vejo estas canções e queria ter a oportunidade de trabalhar com estes músicos e criar alguma coisa nova. A ideia não era replicar as canções, era refazer as coisas de forma a nascer uma coisa diferente.

Tentou manter-se fiel aos originais ou quis mesmo ser diferente? Elas são diferentes apesar de serem muito fiéis aos originais em termos instrumentais. São sempre as mesmas canções, mas com ideias radicalmente diferentes em relação às abordagens. Também tem a ver com as vozes. Como fiz as versões para as vozes, a canção acaba por ir ao encontro de cada pessoa que a canta.

Qual foi o critério para escolher as músicas e emparelhá-las com as vozes? Quando comecei o projeto peguei num papel enorme e fiz um risco ao meio. Do lado esquerdo escrevi todas as canções que me lembrava de memória do David Bowie. Achei que se tivesse de fazer um disco de versões tinha de ser com canções que me eram próximas. Consegui lembrar-me de 25 e ficaram 13. Do outro lado, pus vozes que admirava, e tinha umas vinte e tal. Foi desta forma um pouco insana que comecei este projeto. Foi um risco, porque eu estava a fazer versões para as vozes daqueles cantores e podiam não aceitar.

Houve alguma canção que o tivesse surpreendido? O "Let´s Dance" que o Afonso Rodrigues dos Sean Riley canta surpreendeu-me bastante porque ele cantou de uma forma radicalmente diferente ao que eu cantei na maquete. E levou a versão para um sitio muito mais interessante. As maquetes inicialmente eram eu a cantar, mas uma versão que tinha feito para cada um deles por isso o que os cantores fizeram foi melhorar estupidamente as canções. Quando os cantores vieram, as canções ficaram lá no sítio.

Lazarus seria sempre a sua primeira escolha para cantar?
Não foi propriamente uma escolha. Houve um cantor que eu convidei que não pôde aceitar por razoes logísticas e então eu cantei essa canção. Não quis oferecer essa canção a mais ninguém porque tinha pensado cada canção para um cantor. Eu gostei até da ideia porque não fiz nenhuma concessão e não troquei nenhum cantor e acabei por cantar a canção que tinha ficado de fora. Ainda por cima, é uma das minhas favoritas e foi a última de David Bowie por isso achei que era algo emblemático ser eu a cantá-la. Eu já estava invejoso de não cantar essa por isso calhou bem.

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Foto: Filipe Ferreira
David Fonseca conta-nos tudo sobre 'Bowie 70' | © Filipe Ferreira
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