Melanoma

Infarmed aprova a avaliação prévia de fármaco inovador

15 | 03 | 2017   17.13H

Em Portugal, segundo os dados mais recentes do Registo Oncológico Nacional relativos a 2006, publicados em 2013, a taxa de incidência do melanoma, padronizada para a idade, é de 5.3/100.000 habitantes nos homens e 5.9 nas mulheres, com maior prevalência a partir da sexta década de vida.

E agora, o Infarmed aprova a avaliação prévia de fármaco inovador de imunoterapia, determinando as condições de aquisição do medicamento pelos hospitais do Serviço Nacional de Saúde.

De acordo com a Drª Ana Raimundo, oncologista médica no IPO do Porto, «o tratamento do melanoma avançado é um desafio, sendo necessária a utilização das terapêuticas mais eficazes para o controlo desta doença e melhorar a sobrevivência dos doentes. O pembrolizumab, um anticorpo anti-PD-1 que estimula o sistema imune dos doentes, foi aprovado pela EMA (Agencia Europeia do Medicamento) em Julho de 2015 para o tratamento dos doentes com melanoma avançado, em primeira linha ou previamente tratados».

«Antes da aprovação e utilização destes novos agentes, a sobrevivência mediana dos doentes com melanoma avançado situava-se entre os 6 e 9 meses. As taxas de sobrevivência ao ano e 2 anos eram cerca de 25% e 10%, respetivamente. Os dados dos estudos que compararam o pembrolizumab com outros agentes aprovados com a mesma indicação (quimioterapia e ipilimumab) revelaram uma superioridade em termos de resposta e sobrevivência, e com menos toxicidade, tendo conduzido à sua aprovação», explica a especialista acrescentando que «a evidência da sua eficácia conduziu à sua inclusão nas linhas de orientação terapêutica do melanoma avançado da ESMO (Sociedade Europeia de Oncologia Médica) e NCCN (National Cancer Center Network)».

No que respeita à aprovação do pembrolizumab para tratamento do melanoma avançado pelos hospitais do SNS, esta medida «vai permitir a sua utilização com ganhos para o doente».

«Dados apresentados recentemente mostraram que cerca de 55% dos doentes estavam vivos aos 2 anos apos início do tratamento (2mg/kg a cada 3 semanas). Um outro estudo com um seguimento mais longo, mostrou uma sobrevivência mediana de 24.4 meses. Os dados de segurança, mostraram um perfil de toxicidade consistente (fenómenos de autoimunidade) e manejável. Deste modo, podemos concluir que os resultados dos vários estudos confirmaram a real eficácia do pembrolizumab, com respostas mantidas ao longo do tempo e com um benefício significativo na sobrevivência dos doentes, culminando com a sua aprovação para utilização pelos hospitais do SNS», acrescenta.

Sobre os ganhos desta aprovação quer no que respeita ao doente, quer no que se refere ao SNS, a médica indica que «vários estudos publicados revelam que a incidência do melanoma tem crescido exponencialmente nos últimos 30 anos. E este tumor afeta doentes mais jovens, com impacto numa faixa etária mais jovem, afetando significativamente a atividade laboral e vida familiar, resultando num impacto social mais marcado».

Tendo presente este contexto, «a utilização de fármacos mais eficazes, como o pembrolizumab, com respostas superiores e mais duradouras, vai permitir diminuir o impacto familiar e social deste tumor tão agressivo. Esta aprovação vai permitir o acesso mais célere ao fármaco garantindo uma melhor eficácia, com ganhos em saúde para o doente e para a sociedade, salvaguardando a sustentabilidade do SNS», conclui a Drª Ana Raimundo.

1 comentário

  • Para quando este novo método? Hoje ninguém morre de sida, nem de tuberculose, eu espero que este método seja aplicado já, para que não morra mais pessoas com o cancro.
    Inês | 16.03.2017 | 07.55Hver comentário denunciado
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