Opinião

Estigma afasta idosos do tratamento

24 | 03 | 2017   13.15H

Joaquim Cerejeira, psiquiatra e presidente da Associação Cérebro & Mente, escreve um artigo de opinião a propósito do Dia Mundial da Saúde, reforçando a importância de prevenir a depressão.

«A depressão é uma doença mental que afeta mais de 350 milhões de pessoas. Resulta de uma interação complexa de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Quando não é diagnosticada a tempo e não se tomam as medidas necessárias para o seu tratamento, esta doença pode ter consequências graves e levar a um desfecho fatal (suicídio).

Esta doença envolve episódios depressivos recorrentes, perda de apetite, falta de interesse, energia e motivação para fazer atividades sociais, ansiedade, perturbações frequentes do sono, sintomas de culpa e baixa autoestima.

Embora existam tratamentos eficazes contra esta doença, estima-se que menos de metade das pessoas deprimidas recebem esses tratamentos. Em causa estão a falta de profissionais de saúde treinados para fazer um diagnóstico eficaz ou uma avaliação imprecisa e o estigma social associado aos transtornos mentais. Os doentes mais velhos negam muito frequentemente ter sintomas de depressão o que dificulta o diagnóstico da doença. Por outro lado, a semelhança entre os sintomas de depressão com os de demência conduz, muitas vezes, a um diagnóstico tardio.

Na população mais sénior, os programas de prevenção têm demonstrado ser eficazes, recorrendo a uma combinação entre acompanhamento psiquiátrico (como ativação comportamental, terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia interpessoal) e programas de exercícios e estimulação de uma vida ativa.

Com o tratamento adequado, a pessoa deprimida pode recuperar a satisfação com a vida e o nível de independência nas atividades básicas da vida diária.

Este ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) está a promover uma campanha sobre depressão, com o lema “Vamos conversar”. A iniciativa, integrada nas comemorações do Dia Mundial da Saúde, reforça que existem formas de prevenir a depressão e também de a tratar, mas que conversar abertamente sobre a doença é o primeiro passo para reduzir o estigma associado à depressão.»

Foto: © Destak
Estigma afasta idosos do tratamento | © © Destak

1 comentário

  • MAS COMO DISSE A APAV HÁ UMA TENDÊNCIA PARA EXAGERAR NOS INTERNAMENTOS O QUE POR SINAL AGRAVA A DOENÇA...ATÉ ALGUM PESSOAL DE SAUDE FORÇA A DETECÇÃO DOS SINTOMAS DE ESQUIZOFRENIA E DEMÊNCIA,COMO «ACREDITA EM OVNIS E NO CÉU CATÓLICO»,«GRITA» «PERDEU A CHAVE»,ETC...E COMEÇA A NOTAR-SE UM CERTO E SÚBITO EXAGERO EM BASTANTE PESSOAL DE ENFERMAGEM,MAL PREPARADO, EM CONTACTO COM O PÚBLICO,NA DETECÇÃO DE CASOS DE ALZHEIMER E DEMÊNCIA NOS IDOSOS...POUCO IDOSOS,FORÇANDO CONFUSÕES! QUAL O INTERESSE? E ATENÇÃO QUE A LEI DE SAÚDE MENTAL TEM DE SER CUMPRIDA NA PARTE DO CONTROLE PELO M.P. E DA CONTESTAÇÃO DOS INTERNAMENTOS COMPULSIVOS,EVITANDO O SEQUESTRO! ISTO TEM DE SER APLICADO TAMBÉM AOS LARES,QUE DEVERIAM PARTICIPAR AO MP OS PEDIDOS DE INTERNAMENTO PELOS FAMILIARES!
    GABRIELCORREIA | 20.03.2018 | 17.34Hdenunciar comentário
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