Entrevista

«Estar em palco é a melhor parte» - David Carreira

18 | 05 | 2017   23.07H
Além do sucesso em Portugal, David Carreira já está a conquistar França, com o seu segundo álbum nesse mercado. O novo disco chama-se 1991, conta com o sigle Dominó e vai ser editado a 19 de maio. O Destak não poderia perder a oportunidade de falar com o músico em exclusivo.
Filipa Estrela | festrela@destak.pt

O que nos pode dizer sobre o segundo álbum francês?

Já há dois anos que não lanço um álbum em francês. Para mim é, sem dúvida, um grande desafio. O primeiro álbum francês foi dos maiores desafios da minha vida. E foi das coisas que mais me fez aprender e crescer artisticamente. Ter que recomeçar uma carreira do zero, num país em que o público basicamente não te conhece, é uma grande aprendizagem. É complicado - quando estás habituado a ter um público, ter fãs que já conhecem a tua música e que te seguem por todo o lado – e de repente tens de reiniciar tudo. Este segundo álbum trás outra tranquilidade, porque já percorri algum caminho. Embora uma semana antes a dúvida surge se as coisas vão correr bem ou não. Ficas sempre ali um pouco indefeso quando lanças um álbum, porque estão ali coisas que tens vontade de dizer e que esperas que as pessoas tenham vontade de ouvir também.

Porque chamou o álbum “1991”, o seu ano de nascimento?

Porque apercebi-me durante o processo criativo do álbum que estava a pôr muito daquilo que sou nas letras das músicas. Escrevo muitas das minhas músicas, mas ainda não o tinha feito em francês. Desta vez senti que tinha escrito muito e que pus muito daquilo que é meu. É um álbum muito latino, muito mais de acordo com as minhas origens e daquilo que eu ouvia quando era miúdo. Um álbum urbano. Senti que em relação ao meu primeiro álbum francês, este álbum é muito próximo de mim, daquilo que eu sou, das minhas origens. Daí o nome. É a primeira vez num álbum que falo da minha mãe e neste álbum há um tema para ela. Portanto achei que fazia todo o sentido chamá-lo “1991”, por ser a minha data de nascimento.

Esperava que o single “Domino” estivesse a ter o sucesso que está a ter em França?

Sinceramente não. Não porque já não lançava nada há dois anos em França e hoje em dia é fácil de as pessoas esquecerem-te, quando não estás presente no mercado. Tive esses dois anos todos em Portugal, em digressão, a lançar o álbum em português e é sempre complicado reentrares quando estás tanto tempo fora. Ainda por cima, em França há sempre tanta coisa a acontecer e muita concorrência. Portanto não esperava de todo!

Porque não lança os discos portugueses em França e os franceses em Portugal?

Boa pergunta! Não o fiz até agora, mas pode ser que um dia o venha a fazer. Não o fiz até agora, porque sinto que inicialmente os géneros musicais eram diferentes, tanto no álbum francês, como no álbum português. Cada vez mais eles estão a aproximar-se, porque eu estou a começar a escrever muito no álbum francês. Portanto como se estão a aproximar, isso faz com que um dia, se calhar, possa lançar um disco francês em Portugal e um português em França. Só que depois há sempre a barreira da língua e foi por isso que decidi fazer um álbum em francês para França e decidi apostar numa carreira francófona também, porque os franceses não percebem português, e os portugueses, na maioria, não percebem francês. E portanto há sempre essa barreira da língua, em que o ideal, acho que é mesmo falar para as pessoas e contar aquilo que tens para dizer na língua das pessoas.

Prefere cantar em português, francês ou inglês?

Português, se calhar. Depende muito das alturas em que estou. Há momentos em que me apetece cantar em português, outros em francês. Mas tenho uma forte ligação com Portugal, embora a minha formação académica foi sempre em francês.

Como define o seu estilo musical?

Pop com uma mistura de electrónica. Uma sonoridade urbana. Diria que é Pop Urbano porque é uma mistura de várias outras coisas. Sempre gostei de música no geral, e tanto faço músicas como o “In Love”, que é uma balada, com guitarra e piano, e o “Sou Tu e Eu”, por exemplo, e o “Haverá sempre uma música”, como faço músicas como “A Primeira Dama”, mais electrónica. Como depois faço músicas como “Dama do Business”, que é rap, e o “Domino”, que um lado reggaeton. Mas gosto sobretudo de Pop.

A sua música muda um pouco dependendo do público a quem se dirige, ou seja, um álbum editado em França é ligeiramente diferente de um álbum editado para Portugal?

Não muda consoante o público. O álbum é feito para dizer aquilo que eu sinto e depois eu sempre pensei que se calhar há pessoas que podem sentir as mesmas coisas que eu sinto. Há pessoas que podem rever-se naquilo que eu acho, naquilo que me acontece e da forma como eu vejo as coisas. Não penso propriamente em atingir este ou aquele público.

Qual é a melhor parte de estar na estrada, em digressão?

É poder estar em cima do palco, sem dúvida. É a melhor parte. Há uma parte menos boa, que é estar longe da família e dos amigos. Mas dar um concerto compensa os aspetos menos bons.

Qual é o concerto que já deu que destaca e porquê?

São todos diferentes, mas o 360 no Campo Pequeno foi muito importante para mim. Depois há concertos de estrada que te ficam na memória também. Lembro-me do de Viseu, que foi brutal! Recentemente nas Queimas de Coimbra e Porto também. No Multiusos de Guimarães. Os concertos nos Coliseus também foram importantes, mas o 360 no Campo Pequeno é um concerto que marcou uma transição na minha carreira.

Foto: DR
«Estar em palco é a melhor parte» - David Carreira | © DR
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