Entrevista

Língua Franca para criar algo melhor socialmente

25 | 05 | 2017   23.05H
É hoje editado o disco que junta dois rappers brasileiros, Emicida e Rae, a dois portugueses, Valete e Capicua.
João Moniz | jmoniz@destak.pt

Há muito que rappers e DJ cruzam o Atlântico. Língua Franca foi o passo lógico seguinte. Capicua e Valete explicam em entrevista ao Destak porque aceitaram juntar-se a Emicida e Rael para lançar o CD que hoje chega aos escaparates.

Como surgiu a ideia de fazer esta parceria entre os quatro?

Capicua: Foi um convite da Sony Portugal e Sony Brasil, que decidiram fazer uma parceria, editando um disco de Rap luso-brasileiro. Fizeram o convite aos 4 rappers e nós, como já conhecíamos o trabalho uns dos outros e nos identificávamos muito, achámos óptima ideia!

Valete: Foi uma ideia da Sony Portugal juntamente com a Sony Brasil.

Que inquietações ou motivações em comum vos juntaram?

Capicua: A paixão pelo Rap e a vontade de aproximar os dois países. Acreditamos que isto de ter uma língua em comum, uma língua franca em que nos comunicamos, é uma oportunidade para fazer pontes, para fazer trocas e parcerias, e é esse vínculo que queremos estimular com este disco!

Valete: Mais motivações do que inquietações. A ideia podermos criar aqui um movimento musical e cultural luso-brasileiro através do HipHop é uma ideia incrível. As metas e as lutas são muito semelhantes. Temos uma língua em comum. Se podermos aproximar os 2 países mais forte ficamos.

Que mensagem pretendem transmitir nos dois países?

Capicua: As mensagens deixamos para as músicas. São muitas e diversas. Mas com o disco, enquanto objecto simbólico, queremos mostrar que estamos mais perto e que faz sentido utilizar a música como veículo e ferramenta para a expansão da língua portuguesa em toda a sua diversidade.

Valete: A mensagem do HipHop como um movimento progressista e contra-cultural. A ideia não é só relatar o que vemos e o que sentimos, mas também transformar e tentar criar algo melhor socialmente e culturalmente.

Que aceitação poderá ter este projecto em Portugal e no Brasil?

Capicua: Isso quem vai dizer é o público, mas esperamos que as pessoas encarem este disco como um contributo para uma celebração conjunta da cultura lusófona. É um disco que nasce na zona franca da lusofonia. Não é exportado, porque existe à partida nos dois países. É mesmo o disco-do-meio-do-caminho!

Valete: Desde logo vai apresentar em larga escala em Portugal 2 grandes talentos brasileiros como são o Emicida e o Rael. O mesmo vai acontecer comigo e com a Capicua no Brasil. Depois as pessoas de cada um dos países vão ter a possibilidade de contactar com formas de falar, rimar e cantar o português que provavelmente não conheciam. O Emicida e o Rael são da periferia de São Paulo , e muito do português que é falado na periferia de São Paulo é desconhecido para os portugueses. Tem muitas expressões , gírias e construções frásicas novas. Musicalmente e liricamente será uma experiência riquíssima para os ouvintes.

Foto: Vera Marmelo
Língua Franca para criar algo melhor socialmente | © Vera Marmelo
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE