Mobilidade

Empresas aceleram partilha de carros

28 | 06 | 2017   23.00H
Reforço da oferta deverá aumentar visibilidade de uma solução sobre a qual a DECO não tem queixas
João Moniz | jmoniz@destak.pt

Começou de forma amadora nas redes sociais, até que surgiram os primeiros portais especializados. A boa receção dos portugueses ao carpooling levou grandes empresas a desenvolverem as suas redes de gestão de procura e oferta de boleias, em que condutores e passageiros partilham os custos de uma viagem de automóvel.

Depois de Boleia.net, Bla Bla Car, Deboleia.com, Viagensportostões ou Galpshare, só para nomear alguns, chega esta quinta-feira ao mercado português o boleias.viaverde.pt.

E na próxima semana, mais concretamente no dia 4 de julho, passa a estar disponível em Portugal – embora apenas até ao fim desse mês – o uberPOOL, em que os utilizadores do serviço que se desloquem na mesma direção e ao mesmo tempo podem dividir a viagem e poupar 25% face à tarifa mais baixa.

A redução de custos é a grande vantagem do também chamado ridesharing. Contas feitas pelo Destak, partindo do princípio que uma viagem fica a 5 cêntimos por quilómetro, um utilizador de carpooling vai pagar 16 euros para ir de Lisboa ao Porto.

É menos 68% do que se fosse sozinho num carro. Isto estipulando que a viatura vai gastar 20 litros de gasolina, que ao preço médio de ontem ficariam por 29 euros. Junta-se os 21,45 euros da portagem e dá 50,45 euros. Uma poupança de 34,45 euros face aos 16 do carpooling (os tais 68%).

Face ao comboio, a redução de custos é de 34%. Isto porque o bilhete mais barato na CP custa, por tabela, 24,30 euros. Claro que o utente poderá aproveitar as tarifas low cost que a empresa disponibiliza. Estas começam nos 13,5 euros, mas este valor só está disponível para viagens logo de manhã. Além de que isso obriga a comprar o ingresso com antecedência, enquanto o ridesharing pode ser reservado na hora.

A mesma lógica se aplica ao avião. Reservar com antecedência garante preços mais baixos. Em cima da hora, o melhor que o Destak conseguiu foi um bilhete por 90 euros. Logo aqui a poupança é de 82%.

Um dos melhores aspetos é que o serviço parece ser seguro. Ao Destak, a DECO disse não ter registo de reclamações neste setor e que os operadores estão recetivos a discutir um código de conduta.

A associação já teve várias reuniões com as principais empresas no mercado e, embora estas não tenham dado o passo de se sujeitarem a um caderno de encargos, a maioria acaba por seguir o guião da DECO. De uma forma ou de outra.

Depois há as vantagens paralelas. No lançamento do seu serviço, a Brisa salientou os benefícios ambientais e sociais inerentes ao mesmo.

Desde logo, o Via Verde Boleias «permite a cada indivíduo uma redução significativa (até 75%) das emissões de carbono» numa deslocação para o trabalho ou a lazer.

Um estudo da TNS Sofres, de 2016, destaca o contributo do ridesharing para a segurança rodoviária: 75% dos inquiridos adotam melhores práticas de condução quando acompanhados; 55% respeitam mais os limites de velocidade; 57% fazem mais paragens para descansar; e 84% ficam mais acordados.

O sucesso das boleias partilhadas levou ao surgimento de um conceito de negócio derivado: o carsharing, que acaba por ser um meio caminho entre o carpooling e o rent a car tradicional.

Do primeiro herdou a simplicidade e a agilidade, nomeadamente a possibilidade de alugueres de curta duração (horas em vez de um dia, por exemplo).

Ao segundo foi buscar uma autonomia low cost, ou seja, a pessoa assegura um meio de transporte a preços mais baixos do que era habitual mas sem estar dependente de ninguém (seja porque procura um proprietário que lhe dê boleia, seja porque tem de combinar horários com quem vai dividir a viagem).

Em Portugal, a Mobiag e a Citydrive são as principais plataformas.

Foto: 123RF
Empresas aceleram partilha de carros | © 123RF
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