3ª dia Nos Alive 2017

Kodaline, Imagine Dragons e Depeche Mode: impossível escolher

09 | 07 | 2017   03.20H
O último dia do Nos Alive contava no seu cartaz com menos nomes no Palco Nos Stage do que nos dias anteriores, mas nem por isso dececionou. Antes pelo contrário. Muitas foram as pessoas que nem saíram do seu lugar, tal era a força do cartaz. Impossível escolher, cada um pelas suas razões. Mas com uma qualidade tão diversificada, espalhada pelos sete palcos (incluindo o pórtico de entrada), havia público para todos os estilos, desde o fado à comédia, passando pelo coreto, pelo clubbing e pelo palco Heineken.
Filipa Estrela | festrela@destak.pt
Os The Black Mamba foram um aperitivo à base de blues, soul e funk servido logo ao fim da tarde, no Palco Nos Stage. Com concerto agendado para fevereiro no Coliseu, a banda portuguesa foi uma boa aposta para agradar a quem já guardava lugar para o que se seguia. Pelas 18h50, já estavam a terminar a sua atuação, enquanto o cantor americano Benjamin Booker já começava a agitar o Palco Heineken, também ele com bastante público, com um rock pincelado de blues e a soul na voz. Por mais que quiséssemos, não conseguimos esperar mais e seguimos a passo largo para o Nos Stage, já com os Kodaline no horizonte. Entraram dez minutos depois da hora marcada, cheios de boa disposição e pinta de rockeiros com os seus óculos escuros a pedir um sol que teimava em não aparecer, neste tempo que continua incerto, sem se saber em que momento vai começar a chover. Não tardaram a ouvir-se palmas - que o vocalista foi incentivando ao longo do concerto - e letras na ponta da língua de uma plateia, unida logo na primeira música, Ready. Em palco, pouco depois entrou uma bandeira portuguesa, que marcou presença presa ao microfone até ao fim. Não faltaram temas como Love Like This ou a muito entoada Ready to Change. Mas foi em High Hopes e na última All I Want, que as reações em cadeia se evidenciaram. Uma dezena de raparigas subiu para as cavalitas de quem teve a amabilidade de as carregar, com as letras nos lábios e os braços no ar. Muito comunicativo e sempre a chamar por Lisboa, Steve Garrigan introduziu algumas músicas como o novíssimo single Brother. Pelas 20h, a banda irlandesa anunciara a última música e despedem-se do «público fantástico do Alive», marcando encontro para breve. Cá os esperamos no já anunciado concerto a 14 de novembro, no Campo Pequeno. Depois de uma banda claramente preferida pelo público feminino, esperava-nos uma visita ao Palco Heineken para encontrar o indie rock dos americanos Spoon, com casa cheia, apesar de os Imagine Dragons estarem prestes a entrar em palco. Pouca ou nenhuma introdução é necessária fazer a uma das mais aguardadas bandas da noite, que abriu as hostes com Thunder. Com o fresquíssimo terceiro álbum de estúdio Evolve lançado há uma semana – 23 de junho – os Imagine Dragons dividiram as atenções entre os novos temas como Walking the Wire, e os êxitos obrigatórios. Além do grande espetáculo que deram, Dan Reynolds e companhia anunciaram uma mensagem de paz que não deixa ninguém indiferente. Agradeceram aos portugueses na nossa língua e caracterizaram-nos como pessoas de paixão e de amor, sendo por isso sempre um prazer regressar a Portugal. Depois da declaração de amor ao País continuaram: «vivemos num mundo dividido. Querem dividir-nos por raças, religiões, valores e orientações sexuais. O terrorismo quer dividir-nos, mas não vamos deixar! Estamos unidos em paz e amor. Obrigada por estarem aqui hoje», remataram. Logo depois, brindam-nos com It's Time, ajudados pelo público, seguindo-se Whatever it Takes que contribuiu para a festa nunca abrandar desde as primeiras filas até perder de vista. Dan Reynolds saiu do palco várias vezes e quase se dirigia às pessoas da primeira fila, tal era a proximidade. Usou o palco todo de uma ponta à outra e até se deitou nele durante um solo de guitarra antes de I'm so sorry. Os breves refrões de Bleeding Out e Warriors serviram de introdução a Demons, e um solo de baixo introduziu Amsterdam. Depois do solo de bateria deu-se a apoteose final com o muito desejado tríptico que começou com On Top if The World, continuou com o novíssimo single Believer e terminou com Radioactive, todas com direito a saídas do palco e a multidões aos saltos, com os telemóveis a testemunhar tudo. Todo o recinto foi conquistado e rendeu-se. Se não estavam desde o início, ficaram. Era tempo de aguardar por «uma das melhores bandas», segundo o grupo que agora descia do palco. Com Spirit, o mais recente álbum editado este ano na bagagem, os Depeche Mode conseguiram um alinhamento equilibrado entre o novo e antigo. Provaram que ainda são uma grande banda, com Dave Gahan a encabeçar o espetáculo e a dar tudo o que tinha para dar. Com uma postura de animal de palco que é, não parou um segundo, a rodiopiar, a insinuar-se, a dançar e a incentivar o público, irrepreensível na sua persona, hoje vestida com um corpete de brilhantes diretamente na pele, que foi trocando por outros. Contudo, o público que estava além das primeiras filas não recebeu essa energia e só reagiu verdadeiramente em temas como Where's the Revolution, Enjoy the Silence e obviamente Personal Jesus. Saíram do palco às 23h35, mas não tardaram a regressar mesmo que o entusiasmo a chamá-los não tivesse sido muito notório. Começaram com Home e continuaram com Walking in my Shoes que serviu de banda sonora a mais um vídeo dos vários que foram surgindo nos ecrãs. Para terminar em grande, brindaram-nos com I Feel You e Personal Jesus. «Lisboa vocês realmente são os melhores», disseram. Parece que o sentimento é mutuo. Depois da meia-noite, quando o concerto acabou, a festa que se fazia era para todos os gostos. Os músicos da Tasca do Xico criavam um ambiente intimista no EDP Fado Café, enquanto no Nos Clubbing a animação era mais eletrizante. Contudo, o Palco Heineken com Cage the Elefant era o mais concorrido, e “transbordava” de pessoas, muitas delas já sentadas na zona de restauração, onde mal se circulava. Acabram mais três dias de música em que o sonho é real, mas para o ano há mais, a 12, 13 e 14 de julho.
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Foto: Nuno Andrade
Kodaline, Imagine Dragons e Depeche Mode: impossível escolher | © Nuno Andrade
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