SBSR: 3º dia

Super rock, super rave

16 | 07 | 2017   11.59H
O festival que, na sua 23ª edição cativou um total de 56 mil pessoas, regressa para o ano de 19 a 21 de Julho, está prometido, com o Slow J a merecer novo updgrade consecutivo, desta feita para o palco principal.
Vera Valadas Ferreira | vferreira@destak.pt
Então o evento correrá o risco de “casar” o número da edição com a média de idades do público que habitualmente ruma ao Parque das Nações e ao qual a organização quis agradar preparando um cartaz recheado de nomes hip hop e da música eletrónica. E foi precisamente ao ritmo de uma gigantesca rave que o palco principal instalado na Meo Arena se despediu dos festivaleiros, sob a condução de Fatboy Slim. O DJ está velho mas não acabado, pois que ainda é capaz de contagiar multidões num espaço que minutos antes tinha recebido um concerto em tudo diferente. Também regressados a Lisboa, os Deftones não deram tréguas à juventude com o seu metal musculado. Chino Moreno e companhia suaram e fizeram suar. Houve mosh, headbanging, contacto com o público junto às grades e um alinhamento em jeito de best of para contentamento de quem não os via ao vivo há sete anos. Super rock, a fazer jus ao nome do festival. Antes deles, já os Foster de People tinham saído do casulo, por assim dizer. «É bom interagir com pessoas na vida real. Temos passado os últimos meses enfiados em estúdio, a olhar para instrumentos, paredes e computadores», contou o frontman Mark Foster. O resultado é Sacred Hearts Club, um disco ali testado em duas passagens e que puxa o pezinho para a dança. Chega aos escaparates na próxima semana. Mas para quem preferiu não arredar pé do Palco EDP a noite também correu de feição. Silva, o fenómeno da MPB que nunca tinha tocado em Lisboa no verão, foi delicioso de ouvir e ver. Sim, ele canta Marisa, mas não pediu “Beija Eu”. O que não quer dizer que a sua voz lânguida e presença cândida não tivessem seduzido a plateia conhecedora do repertório deste antigo menino de coro (literalmente). Em termos de vozes masculinas brasileiras com sabor a rebuçados de alcaçuz há Caetano Veloso, depois Celso Fonseca e agora Silva, um daqueles artistas cujas canções nos lembram que o sol se põe, não se esconde, volta ao seu lugar. Haja fé, basicamente. Seguiu-se-lhe Taxiwars – Tom Barman, dos dEUS, tem sete vidas artísticas e nesta regressa à desconstrução jazzy – e James Vincent McMorrow – folk irlandesa - , ambos a merecer serem degustados em futuras ocasiões, num espaço fechado e intimista. Também este tipo de ambiente pedia à partida Seu Jorge e a banda sonora de Life Aquatic. O músico brasileiro contou histórias, fez rir e sonhar, com este seu tributo a David Bowie, perante a maior enchente de público no palco EDP. Eu não sei se há vida em Marte… mas ali sob a pala do Pavilhão de Portugal não faltaram corações a pulsar.
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Foto: Nuno Andrade
Super rock, super rave | © Nuno Andrade
Seu Jorge
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