Entrevista a Taron Egerton

«Nunca me tinha sentido tão cansado»

21 | 09 | 2017   00.02H
Caro/a leitor/a, decore este nome: Taron David Egerton. É este o ator que rouba a cena a nomes ‘gigantes’ da 7ª Arte, no novo ‘Kingsman: O Círculo Dourado’, filme que estreia hoje por cá.
Destak | destak@destak.pt

Há sempre uma mais-valia na novidade. Taron Egerton, o talentoso inglês de 27 anos de idade que se considera galês, beneficia desse bónus. É fresco, irrequieto, a abarrotar de charme britânico e, naturalmente, irresistível em toda a sua liberdade de maneiras. Mas não assumam que toda aquela gireza e novidade, auxiliada por olhos que não se cansam de fazer troça, triunfam por si só.

Há muito trabalho de base que ficou feito e que nasce de um talento absolutamente faiscante. Era ele menino e já participava em peças de teatro na sua escola. Depois, começou a aparecer nos palcos em confrontos tórridos da dramaturgia clássica. Licenciou-se em artes, ganhou prémios, sobressaiu dos demais.

E, agora que a carreira levantou voo qual jato supersónico, é vê-lo com frequência no topo do cartaz ao lado de pesos-pesados como Tom Hardy, Hugh Jackman, Alicia Vikander ou, como sucede precisamente esta semana, salvando o planeta com a ajuda do cavalheiro Colin Firth.

Aparecem ambos na série Kingsman, a tal saga sobre agentes secretos que conseguem, em estilo James Bond para petizes, transformar um guarda-chuva chique em metralhadora sanguinária. No novo episódio que estreia hje em Portugal, Kingsman: O Círculo Dourado, o jovem Taron vê-se rodeado novamente de outras lendas do grande ecrã – Halle Berry, Jeff Bridges, Julianne Moore –, mas irão reparar que a maior animação ainda vem dele.

Nasceu para nos confundir com tanta frase bem dita, pontapé bem apontado e outras extravagâncias de alegria pura.

'Kingsman: O Círculo Dourado' é cheio de ação, ideal no fecho do verão. Qual foi a cena que o deixou mais exausto?

Há um momento no topo do Monte Branco, nos Alpes, em que tenho de fugir para não ser morto. Por causa da altitude, o oxigénio é rarefeito. Acho que só tenho de correr durante uns 20 segundos. Nunca me tinha sentido tão cansado na vida. Pior, uma pessoa demora imenso tempo a recuperar o fôlego porque, lá está, não parece haver oxigénio suficiente. A vista lá de cima é, possivelmente, a mais bonita do mundo. Mas o cansaço é terrível. Houve muitos momentos em que me senti mesmo doente. Só me apetecia dormir.

Imagino que, com pedidos de colaboração vindos das cúpulas mais altas do entretenimento global, o Taron não tenha tido ultimamente grande vagar para passar longas temporadas com a sua família, no País de Gales. Por falar nisso, é realmente verdade que, embora tenha nascido em Inglaterra, se considera galês?

Confirmo. É verdade.

Ainda se mantém agarrado à terra? Ou, de repente, o pai e a mãe transformaram-se em figuras nostálgicas?

Não é assim tão verdade que nunca há tempo para visitar a família. Ainda há pouco tempo, depois de terminar as filmagens do Robin dos Bosques, fui logo para casa – ainda passei umas seis semanas com a minha família. Vou sempre que posso. E, quando não posso, tento levar a cidade comigo. É por isso que, para a estreia do novo Kingsman, vou trazer a localidade onde cresci, Aberystwyth, no País de Gales, ao cinema de Leicester Square, em Londres. Desta vez quero que, na estreia, haja gente da minha comunidade. Quero lá ter os meus amigos, os pais deles. São cerca de 45 pessoas, todas minhas convidadas, que nunca assistiram à estreia de um filme. Uma novidade para eles. Grande excitação. Acho que os meus melhores amigos não estão muito felizes com a ideia. Mas os pais estão a adorar.

Como descreveria a sua ascensão meteórica no cinema?

Súbita e turbulenta e direita ao centro da questão. Por vezes, terei de admitir, sinto-me fascinado com a carreira em Hollywood. Imagino que a minha imagem seja a do novato que acabou de aparecer em cena. Como toda a gente, vou ter momentos bons e outros menos satisfatórios. Como se tem visto até agora, há no meu trabalho mais visível um tema recorrente: o menino na sua transição para o homem maduro. Sinto-me cheio de sorte com as escolhas que me têm sido dadas mas, da mesma maneira, espero que os próximos 10 anos me tragam papéis que incluam mais barba na cara, a ver se passo a ter acesso a personagens ainda mais adultas na sua masculinidade. No entanto, se por agora a ideia é parecer inocente, tudo bem. Inocente é bom. Inocente é uma delícia.

Acha que, nestas andanças, está predestinado a fazer de agente secreto 007, quando a idade chegar?

Mas estamos a brincar? Quem é que não tem vontade de ser o James Bond? Continua a ser a figura mais irresistível do mundo. Direi apenas que a possibilidade do James Bond só surge quando se souber o destino da série Kingsman. Seja como for, ter na carreira dois agentes secretos é um bocadinho demais, não é? Mas se a pessoa James Bond quiser, daqui a uns anos, ter uma conversa comigo, estou disponível. Aviso, contudo, que as minhas probabilidades são consideradas baixas no universo londrino das apostas. A sério. Garanto. Fui eu mesmo verificar. Probabilidades muito, muito baixas. Gosto da sua postura terra a terra. Lá em casa, quando dá consigo abraçado pelo ambiente doméstico, ainda é obrigado a ir lavar a loiça?

Ainda lavei muita loiça. Mas, depois, comprei à minha mãe uma casa nova e ela deixou de pedir. Foi ótimo.

Que tipo de estrutura familiar tem à sua volta?

Tenho duas irmãs mais novas, de quatro e sete anos de idade. O meu pai também tem outros filhos, mas esses não vivem na mesma cidade que nós. Pelo contrário, com as duas miúdas da minha mãe, gosto de as ir buscar à escola e de cuidar delas em casa. Infelizmente, o meu trabalho nunca acaba reconhecido. De facto, as ordens que tenho vão no sentido de nunca mais me aproximar delas. Parece que ficam maníacas porque, entre a escola e casa, dou-lhes demasiados doces e gelados e coisas assim. Claro que gosto de ajudar a participar nas tarefas mundanas, como toda a gente.

Foto: DR
«Nunca me tinha sentido tão cansado» | © DR
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