PUBLICIDADE
efeitos da falência da GM

O que é que a grande General Motors tem?

02 | 06 | 2009   11.00H

Já foi a maior companhia automóvel do mundo (o ano passado foi a 2.ª com mais vendas, atrás da Toyota) e ainda é a maior empresa industrial de sempre. Ontem, a General Motors emitiu o aguardado pedido de falência após ter falhado um plano de reestruturação.

Na prática, o que é que isso significa? Em primeiro lugar, convém esclarecer que as principais marcas do grupo automóvel não vão acabar. O que a falência irá permitir é que a empresa se reestruture sem a pressão dos credores.

Naquela que é a 3.ª maior falência de sempre, haverá encerramento de, no mínimo 11 fábricas e muitos despedimentos no grupo que emprega quase 250 mil pessoas por todo o mundo.

Haverá ainda mais de 1500 concessionários a encerrar (pelo menos nos Estados Unidos) e um emagrecimento da empresa que pode passar por liquidação (venda ou fim) das marcas menos rentáveis - caso da Pontiac, Saturn e Saab. A Hummer, soube-se hoje, será vendida à empresa chinesa Sichuan o que permitirá salvar três mil postos de trabalho.

A nova empresa que irá pertencer, na sua maioria ao Estado norte-americano (60%) - há ainda percentagens para os credores e para o Canadá -, já vendeu parte maioritária da Opel à canadiana Magna. A Buick, Cadillac, Chevrolet, GMC, GM Daewoo e Holden irão ter agora uma missão mais direccionada para carros pequenos e eficientes - o atraso em aderir a este tipo de veículos foi o que levou a GM à situação actual.

Consumidor será afectado?

É a pergunta mais importante para quem tem veículos destas marcas, mas de resposta ainda incerta. A GM Europa, segundo garantiu ao Destak o director de comunicação da GM Portugal, Miguel Tomé, mantém-se como estrutura independente e não sofrerá com o impacto das novas medidas nos Estados Unidos.

A própria Magna, que comandará a Opel, assinou um protocolo que garante que tudo continuará a funcionar normalmente (incluindo a ligação à GM americana) na GM Europa.

Miguel Tomé explicou ainda que «os planos de produto mantêm-se inalterados, muito especialmente os de automóveis eléctricos e de novas tecnologias de propulsão. Estes produtos serão a chave para o futuro de sucesso de uma General Motors reorganizada e mais competitiva».

Nos Estados Unidos, onde o acordo com o Estado traz grandes mudanças, o conselho de especialistas passa por precauções, mas nada de pânico. Há especialistas (como a editora de economia da CNN), que falam na possibilidade de haver falta de peças ou desvalorização dos veículos da GM. No entanto, o grupo tudo fará para evitar esta situação.

Entretanto, a outra marca americana em apuros, a Chrysler, deverá ser recuperada pela mão da FIAT muito em breve.

Ford aumenta produção para aumentar quota de mercado

Ainda hoje a norte-americana Ford, a única que tem conseguido sobreviver à profunda crise automóvel nos Estados Unidos sem medidas drásticas, anunciou o aumento da sua produção para aproveitar o período de queda e de profunda reestruturação nos concorrentes directos da GM e da Chrysler. A Ford aproveita assim o facto de estar a ter as vendas mais elevadas dos últimos 10 meses.

-----------------------------------------------------

Ascensão e fim da GM

Criada em 1908, em Detroit, pelo empresário ligado aos veículos para cavalos William Durant, a General Motors começou por ter apenas a mítica Buick, numa altura em que se vendiam 10 mil carros por ano nos Estados Unidos. Oldsmobile, Cadillac, Opel (alemã) e Vauxhall (britânica) foram marcas adquiridas até aos anos 1920.

A partir de 1931 e até 2007 o grupo tornou-se o líder global de vendas. O auge deu-se até aos anos 1980. Até aí o grupo tinha a reputação de criar veículos memoráveis e míticos, que se imortalizaram em muitos filmes. Desde essa altura e até aos dias de hoje é a maior empresa industrializada do mundo. Daí que a sua falência seja a maior de sempre, a nível de indústria.

Depois do susto nos anos 1970 com a crise do petróleo, a marca começou a sua fase descendente nos anos 1990, depois de não ter continuado o projecto EV1, para um veículo eléctrico, e por ter continuado a apostar em veículos de grandes dimensões e pouco eficientes (continuaram a gastar mais combustível que os outros). 

Links relevantes:

Documentário sobre quem "matou" o carro eléctrico da GM nos anos 1990 - DVD já disponível em Portugal

Os 10 carros que afundaram a GM (Portal Exame, site brasileiro)

Site da GM

Top dos 10 melhores automóveis clássicos

João Tomé | jtome@destak.pt
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE