Entrevista a Sean Riley & The Slowriders

«Não mudaria nada [neste álbum]»

17 | 10 | 2017   23.20H
Parece mentira, mas a verdade é que já lá vai uma década desde a edição de “Farewell”, o elogiado álbum de estreia de Sean Riley & The Slowriders.
Destak | destak@destak.pt

Afonso Rodrigues aka Sean Riley está neste momento na estrada a celebrar os 10 anos de Farewell, o disco de estreia da sua banda. Ainda assim, o músico português arranjou tempo para uma conversa com o Destak.

Dez anos, cinco álbuns: alguma vez pensaste cumprir uma efeméride deste género quando começaste esta aventura?

A verdade é que isso nunca me passou pela cabeça. E por uma razão muito simples: nós quando iniciámos tudo isto não tínhamos qualquer plano, nem qualquer ambição. Obviamente que havia a ideia de fazer música e de levar essa música o mais longe possível para viajarmos e conhecer pessoas. Mas de facto, não tínhamos a mais pequena ideia do que poderia acontecer, e acho que isso também foi positivo, por que assim não tentámos dar uma direção às coisas.

Olhando uma década para trás, e sabendo o resultado final deste Farewell, o que mudarias neste disco se regressasses ao passado?

Eu não mudaria nada. Aliás, a prova de que nós não mudaríamos nada é que estamos agora na estrada para uma série de concertos de celebração dos 10 anos do álbum, onde basicamente tocamos o disco de uma ponta à outra, exatamente como ele foi gravado, sem mudar uma vírgula. Se houvesse algo para mudar, esta era uma boa altura para fazê-lo. Mas a verdade é que nós olhámos para o Farewell e faz-nos sentido ser assim.

Vocês são um grupo com um público bastante fiel, quase como uma banda de culto. Sentes que há uma renovação de público ao longo destes 10 anos?

Durante a digressão do último álbum, no último ano, apercebemo-nos que, não tendo tocado durante três anos, quando voltámos com um álbum de originais novo apareceu muita gente que não conhecia o disco anterior, mas que simplesmente se relacionou com a nossa banda nessa altura específica. Acho que é algo que vai acontecendo: é bom chegar a um equilíbrio das duas coisas.

Depois de um ano de 2016 muito difícil para a banda [devido ao desaparecimento _de Bruno Pedro Simões, baixista do grupo], vocês decidiram continuar. E agora? Qual o futuro de Sean Riley e os seus Slowriders: alguma coisa na calha?

A propósito destes 10 anos do Farewell, decidimos fazer estes concertos, algo que não deixa de ser um tributo à formação original da banda e uma homenagem ao Bruno e ao papel que ele sempre terá nesta banda. Após esta digressão, que implicou ainda a reedição em CD com alguns temas extra e a edição do disco pela primeira vez em vinil, nós vamos fazer uma pequena pausa para reflexão e, basicamente, vamos depois decidir se vamos fazer ou não um disco. Mas não há essa pressão, nem a necessidade de tomar qualquer decisão. As coisas vão ter de acontecer naturalmente, como sempre foi nesta banda.

Foto: Mariline Alves
«Não mudaria nada [neste álbum]» | © Mariline Alves
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