Entrevista a Daisy Ridley

«Posso ser várias coisas ao mesmo tempo»

14 | 12 | 2017   00.56H
É tempo de respirar e ganhar a serenidade e equilíbrio perdidos nos últimos tempos: é tempo do novo “Star Wars: Os Últimos Jedi”, o oitavo capítulo da saga das sagas. Entrevistámos “a escolhida”, Daisy Ridley.
Destak | destak@destak.pt

Parem as rotativas. E os propulsores intergalácticos. Parem tudo porque, na vida real, a querida e querúbica Daisy Ridley encontrou namorado. O nome dele é Tom Bateman. Fez com ela o filme "Um Crime no Expresso do Oriente". Lá está ele, ao lado de Kenneth Branagh, a tentar deslindar um homicídio que não faz sentido nenhum, embora tenha deixado numa das carruagens um cadáver trespassado por variadíssimos golpes.

Bom, seja como for, estão dadas as notícias de última hora saídas das ruas de Londres. É verdade: a nossa querida Daisy Ridley, rosa de Inglaterra, chegou à idade adulta e casamenteira. Esta semana, outra vez de espadachim luminoso em riste, é vê-la a fazer de guerreira Rey enquanto defronta os perigos mais monstruosos na muito aguardada aventura estrelar "Star Wars: Os Últimos Jedi".

O segundo nome dela é Jazz. Sim, o nome deste corpo celeste é Daisy Jazz Ridley. Mais encantador seria inconcebível.

Agora que esta saga parece fechar-se em apoteose estrondosa, guardou como ‘souvenir’ algum objeto ou peça de roupa? Ou é todo o seu quarto de dormir que, de repente, foi redecorado com parafernália Jedi?

Não tirei nada à socapa. E ninguém tirou por mim. Isso ter-me-ia metido numa carga de trabalhos. Quando fiz o episódio 7, não trouxe nenhuma recordação para casa. No episódio 8, contudo, houve alguém que me deu um sabre luminoso. Passaram-me aquilo para as mãos e eu só disse “Não posso acreditar”. Fiquei, literalmente, estupefacta por me terem dado um talismã tão precioso. Já estava eu no carro a caminho do aeroporto e só conseguia dizer “Oh, meu deus”. Mais tarde, coloquei o objeto numa estante do meu quarto. Até que um amigo me disse “Vais ter que guardar isto num lugar mais seguro”. A não ser isto, tenho uma foto que o JJ Abrams tirou. E também tenho um boneco em miniatura com forro de Chewbacca. Foi-me dado por um dos atores que empresta toda aquela linguagem física tão única que vemos na personagem. O meu boneco é molezinho. Não emite sons.

Esta série de aventuras não seria possível sem a ideia de camaradagem entre amigos e família, vital quando enfrentamos as piores ameaças. Como é o seu grupo de apoio? Que lições de vida lhe foram dadas, por exemplo, pelos seus pais e pelas suas duas irmãs mais velhas?

Sempre me disseram: faz aquilo que mais gostas de fazer. Tive apoio total. E se uma ideia não resultava bem, todos eles me apoiavam na nova coisa que me apetecia fazer. Lá em casa o alento era sempre posto na ideia de autoexpressão, o que não deixava de ser maravilhoso. Dava-se muita importância aos livros e à leitura. E, claro, era preciso dedicar tempo aos amigos e aos nossos projetos pessoais. As minhas duas irmãs são as minhas pessoas preferidas no mundo inteiro. Da minha mãe retirei que ia para o emprego todos os dias, que tinha uma vida social plena, que estava constantemente a ajudar os amigos. O meu pai também é inacreditável. Um charme, um espanto, um grande devorador de literatura.

Falemos um pouco da sua privacidade, ou falta dela, dada a sua fama crescente. Como é que faz para proteger aquilo que é só seu, agora que foi catapultada para um universo maior?

Ainda estou para perceber como se faz. Imaginemos que estou a andar pela rua fora. Preferia, por exemplo, que as pessoas tivessem uma conversa comigo. Seria muito melhor que, simplesmente, pedirem para tirar uma fotografia comigo. E acho muito estranho que, se acontece a tal conversa, de repente o ambiente muda e fica tudo interrompido pela pergunta “Posso tirar uma foto?”. Para mim, é o momento de conversa que importa. Não a fotografia. Deve ser um problema que resulta dos novos meios de comunicação social. Acho que as pessoas sentem uma necessidade cada vez maior de provar que tiveram determinadas experiências. Fora isto, não sinto ainda necessidade de me proteger. As pessoas são geralmente muito simpáticas, ternas, sem malícia. Noto que são guiadas, inevitavelmente, pela melhor das intenções.

Que truques usa para passar despercebida?

Felizmente, a minha profissão permite-me algumas alterações de perfil e postura. No Star Wars: Os Últimos Jedi o meu ‘look’ é totalmente diferente do que apresento no, por exemplo, Um Crime no Expresso do Oriente. No filme que fiz a seguir, uso peruca e tive de pintar as sobrancelhas. Isso é ótimo. Posso ser várias coisas ao mesmo tempo. Facilita a possibilidade de me misturar em todo o tipo de ambientes, sair de lá incógnita. Repare, contudo, que me é mais fácil proteger aquilo que é meu porque já deixei de participar em qualquer tipo de ‘social media’. Mesmo quando ainda participava, fazia questão de não colocar imagens ou informação que revelassem demasiado de mim. Seja como for, a exposição mediática faz-nos, pelo menos, tomar consciência daquilo que é realmente sagrado – como são os momentos que passamos em casa com a família.

Voltando ao filme, o jedi original, Mark Hamill, disse que algumas das sequências mais assustadoras foram filmadas nos penhascos e nas falésias da Irlanda. Lembra-se de ter sentido perigo? Como geriu essa vertigem de medo?

Do que me lembro só ficou isto: para ir à casa de banho no cume daquela ilha, só lhe digo que o trilho era estreitíssimo e nem sequer havia corrimão para me amparar. Ou seja, ia eu por ali acima e só me ocorria um pensamento: mas por que razão escolhi uma vida que me força a ir a uma casa de banho que fica no topo de um rochedo? Mais importante ainda: será que, se der um paço que seja para a direita, caio na morte certa? Será que tudo isto valeu a pena? De resto, achei surreal. Poucos minutos depois vi que estava rodeada de uma vista espantosa. Também me lembro disso, de achar que o panorama alcançado daquele ponto era o mais incrível que alguma vez se podia imaginar. No fim, achei fantástico. Sobrevivi. Mais uma vez.

Foto: DR
«Posso ser várias coisas ao mesmo tempo» | © DR
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