Entrevista a Dylan O’Brien

«Antes de mais nada temos de ser humanos»

25 | 01 | 2018   00.02H
No dia em que estreia “Maze Runner: A Cura Mortal”, o protagonista Dylan O’Brien fala do valente susto que apanhou durante as filmagens, da família e de como tem sido seguir em frente após o fim de “Teen Wolf”.
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Atenção clientes, jovens adolescentes, compradores de pipocas, fãs e outras multidões que nos últimos anos têm dado tanta vida à carreira do Dylan O’Brien. Eis as últimas notícias: o rapaz está bem. Já se sente francamente recuperado do acidente que sofreu durante as filmagens deste último Maze Runner – embora o episódio traumatizante, que quase lhe ia tirando a vida e que lhe roubou a mobilidade durante muito tempo, tenha ensombrado algumas das energias e estratégias necessárias numa profissão que pede constante entusiasmo, risco e total ausência de medo.

Nos dias de hoje, passado que está o susto pior, o Dylan continua a ser o que sempre foi, dentro e fora do perímetro das filmagens: acessível, generoso na sua espontaneidade, emocional e inteligente, tão bonito como um botão bordado. A sua patente territorial no universo invejável do entretenimento, feita de vulnerabilidade e inocência aliadas a instintos experimentalistas próprios do macho que depara consigo diante da vida adulta, mantém-se de crista em riste.

Dylan, depois dos problemas mortais que enfrentou durante as filmagens, que providências tomou para que aquilo não volte a acontecer? Fazer filmes está a tornar-se matéria de risco, tantas são as sequências perigosas e aquilo que se pede aos atores…

Absolutamente. Nunca deixarei de ter cuidado com a segurança. Quando estamos nas filmagens é muito fácil deixarmo-nos envolver por aquele pequeno microcosmos. Nem sempre o ator tem presença de espírito para compreender os pormenores da acrobacia. De resto, aprendi que o ator não tem necessariamente de fazer todas as cenas arriscadas. Tenho mais cuidado agora e, lembrando sempre a severidade dos meus ferimentos, quero que a indústria do cinema tenha mais cuidado daqui para a frente.

Quanto tempo esteve hospitalizado e em recuperação? Foi bastante rápido, tendo em conta os ferimentos. Acho que regressámos às filmagens 7 ou 8 meses passados sobre o acidente. O meu médico pediu muito cuidado. Uma coisa que me ficou foi isto: quando temos de fazer algo, é boa ideia encarar o desafio de frente e meter logo mãos à obra. É preciso voltar a subir para o cavalo.

Impressão minha ou o seu nome de família, O’Brien, esconde alguns traços ibéricos? A vitalidade da sua linguagem física e o seu sentido de alerta fazem-me crer que há outras influências na sua família…

Tenho algo de espanhol na minha linhagem geracional, é verdade. Do lado da minha mãe. A minha bisavó é espanhola.

Certos estudos defendem que, ao longo do desenvolvimento infantil, o talento vem da mãe, nunca do pai. Que partes da sua personalidade atribui ao seu pai? Que vantagens lhe chegam do lado materno? Ambos os meus pais estão, de uma forma ou de outra, ligados ao cinema. O meu pai faz cinematografia e tem-se mantido no lado técnico da indústria visual ao longo de décadas. A minha mãe frequentou cursos de drama na universidade de Nova Iorque. Foi atriz. Em relação ao cinema, o que recebi deles foi um grande amor pelo cinema, pelos filmes. A minha mãe falava sempre dos pormenores ligados à arte da representação e o meu pai dizia-me como é que certas cenas tinham sido filmadas. Foi deles que me chegou o entusiasmo que ainda sinto por esta profissão. Mas não sei que características da personalidade me chegaram de cada um deles. Sei que são pessoas maravilhosas. Muito inteligentes, sensatos, donos de grande criatividade, simpáticos e prestáveis. Desde que sou pequeno que me dizem isto: antes de mais nada, antes de outra qualquer característica ou aprendizagem, temos de ser humanos. Foi exatamente nesse ponto que os meus pais mais me influenciaram.

Percebo que esteja agora a transitar para o cinema mas, durante uns segundos, temos que falar de Teen Wolf. Quais são as melhores recordações que ficam, agora que a série chega ao fim?

Há tantos momentos que ficam. Trabalhei na série durante tanto tempo. Foi o meu primeiro papel conhecido. Fiz os testes logo depois de acabar o liceu, tive sorte que a série tivesse recolhido bons níveis de audiência e que tivesse sido renovada, tive muita sorte que depois da segunda época ainda tivéssemos direito a fazer uma terceira, depois mais uma quarta, depois a quinta, como se nada nos pudesse deter. Mas esta vida é assim. A série tinha de acabar, mais tarde ou mais cedo. É algo que me deixa triste. Veja bem, tenho agora 25 anos. É tão bom perceber que a equipa que fez o Teen Wolf tem orgulho no trabalho que ficou feito. Estamos todos muito felizes. O trabalho final é bom. Os resultados obtidos, em conjunto, foram ótimos.

Quantos episódios de Teen Wolf acabou por fazer, ao longo da sua vetusta carreira?

Fizemos 100 episódios. Vou, de certeza, ter saudades da personagem que me coube. Foi a primeira vez que me deram um trabalho com aquelas dimensões, e, nesse sentido, claro que vai ter sempre um significado e valor muito especiais na minha vida. Sei que, ao longo da minha carreira, vai ser difícil superar o arco da personagem que carreguei no Teen Wolf. Adorei o que fiz ao longo dos anos. E adorei o material. Claro que vai ser difícil ultrapassar esses limites.

Já depois da sua recuperação física, após os ferimentos sofridos durante as filmagens deste Maze Runner, fez um filme chamado American Assassins, com o Michael Keaton. Que aprendeu com ele? Inevitavelmente, uma pessoa aprende muito com aqueles que trabalham ao nosso lado. Qualquer que essa pessoa seja. No caso do Michael, é o tipo de especialista que já conhece o meio. Tem andado décadas a trabalhar ao mais alto nível. Do meu ponto de vista, o Michael é uma pessoa que cresceu comigo. Era eu miúdo e já via os filmes dele. Resumidamente, por vezes era mesmo esquisito ter o Michael Keaton ali à minha frente, eu a trabalhar com ele. Mas, ao fim de uma jornada de trabalho, a lição que me ficava dele era: uma pessoa não deve levar-se muito a sério, embora o trabalho mereça toda a nossa seriedade. O Michael está sempre a divertir-se. Mas nunca hesita em meter-se a fundo quando o trabalho exige esforço sem limites. Dono de uma grande graciosidade de maneiras. Fácil de ter ali perto, no local de trabalho. Um tipo normal. É essa a maior conclusão depois de ter trabalhado com o Michael Keaton, um ator que eu tenho acompanhado desde a minha infância e que eu vi transformar-se numa verdadeira estrela de cinema: a estrela de cinema é um tipo normal. Nunca deixou de ser normal apesar do estrelato.

Foto: DR
«Antes de mais nada temos de ser humanos» | © DR
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