Acesso à internet

Velocidade na rede fixa ‘trava’ à noite

27 | 02 | 2018   23.06H
Relatório conclui que o acesso fixo à internet é sempre mais lento a partir das 18h. Plataforma deixa várias sugestões para assegurar uma ligação mais rápida.

Com base em 104 187 testes entre 1 de julho e 31 de dezembro 2017, a nPerf concluiu que os consumidores portugueses têm uma internet com uma velocidade média de download de 55 Mbps. Neste estudo, a que o Destak teve acesso, a plataforma que mede a capacidade máxima da conexão de dados em termos de velocidades e latência não incluiu as ligações empresariais e as ligações móveis (2G, 3G, 4G).

Na prática, foi analisada a rede fixa residencial e conclui-se que os quatro operadores «conseguem fornecer uma velocidade de internet constante ao longo do dia, independentemente do número de clientes conectados». Contudo, todas as ofertas «apresentam uma leve baixa de velocidade durante a noite», nomeadamente a partir das 18h. Refira-se, ainda, que a velocidade média de upload foi de 28,75 Mb/s, verificando-se neste segmento as maiores diferenças na oferta.

Consciente que a rapidez da internet é um motivo frequente de dores de cabeça, o ComparaJá.pt preparou, em exclusivo para o Destak, um passo a passo que contribui para aumentar a velocidade de navegação. Primeiro que tudo, deve verificar se eventuais más condições do dispositivo de acesso à internet estão a afetar a velocidade da conexão.

O problema pode ser um navegador desatualizado (pode resultar em longos tempos de carregamento de páginas, falhas na visualização de vídeos, entre outros problemas); cache e cookies (limpar o histórico do navegador, cookies e cache poderá ser importante); demasiados programas/aplicações em segundo plano (pode desativar atualizações automáticas de programas não necessárias, bem como fechar qualquer aplicação de partilha de ficheiros que funcione em segundo plano).

Outras questões problemáticas são a falta de espaço no disco (deve dispor de, pelo menos, 10% de espaço livre); vírus (recorra frequentemente ao antivírus para garantir que nenhum malware se encontra hospedado); ou múltiplos firewalls ativos (não tenha mais do que um).

Em segundo lugar, pode implementar medidas rápidas e simples que permitam melhorar a velocidade, como quatro que estão ligadas ao router: reiniciá-lo; colocá-lo num lugar adequado (quantas mais paredes e objetos estiverem a impedir a transmissão, pior será a propagação do sinal); evitar interferências (afaste o router de eletrodomésticos e outros equipamentos eletrónicos. O micro-ondas, as colunas Bluetooth e outros aparelhos semelhantes funcionam dentro da mesma frequência que o Wi-Fi); e ajustar as antenas (devem ser duas e estar colocadas de forma perpendicular entre si).

Experimente ainda mudar a palavra-passe várias vezes por ano (para precaver uma eventual utilização indevida da sua ligação), desligar equipamentos inativos (desligue o wi-fi do telemóvel ou do tablet quando não está a usá-lo e mesmo a box da TV, colocando o aparelho em stand-by) e utilizar a ligação por cabo (sobretudo durante a noite, quando a rede está mais sobrecarregada).

Por fim, poderão ser necessárias melhorias técnicas. Eis alguns exemplos:

VERIFICAR A QUALIDADE DOS CABOS DE REDE E REMOVER FILTROS: o comprimento dos cabos, a sua estrutura e o seu estado de conservação poderão ter grande impacto na velocidade da internet. É importante confirmar se os cabos não estão sujos ou partidos/deteriorados. Caso necessário, deve-se considerar substituir os cabos antigos, apostando em cabos de rede FTP de categoria 6 com o menor comprimento possível, de forma a otimizar a ligação. Evitar o uso de filtros e/ou splitters caso não se use telefone fixo é igualmente importante;

ATUALIZAR O ROUTER: Embora a atualização do router possa ter um custo associado, dependendo do equipamento e da operadora em questão, este passo poderá ajudar a melhorar significativamente o sinal Wi-Fi. Caso se tenha um equipamento do tipo Wireless-B (lançado em 1999 e que só permite velocidades até 11 Mbps) ou do tipo Wireless-G (lançado em 2002 e que só permite velocidades até 54 Mbps), deve-se considerar a aquisição de um router do tipo Wireless-N (lançado em 2007 e que permite velocidades entre 72 e 600 Mbps) ou Wireless-AC (lançado em 2013 e que permite velocidades entre 433 Mbps e 1,4 Gbps), o qual deverá incluir a funcionalidade "Dual-Band;

OTIMIZAR A FUNCIONALIDADE DUAL BAND: Nos routers Dual Band é possível reservar as frequências de banda 2,4 e 5 GHz para determinadas ações e equipamentos, sendo que a primeira é mais eficaz a ultrapassar obstáculos e tem maior alcance, enquanto a segunda é capaz de transmitir um maior número de dados por segundo, logo permite maiores velocidades de internet. Por exemplo, pode-se reservar os 2,4 GHz para uma utilização geral da internet e os 5 GHz para jogar online ou ver séries e filmes em streaming. De salientar que, visto haver menos dispositivos equipados para aceder à frequência de 5 GHz, potencialmente haverá menos congestionamento nesta frequência;

ALTERAR O CANAL DE CONEXÃO DA REDE: Caso existam muitos routers nas proximidades, o que pode gerar interferências por funcionarem em canais semelhantes, uma solução poderá passar por alterar o canal de conexão da rede. É possível, via Centro de Rede e Partilha no Windows, selecionar-se um canal de funcionamento diferente do habitual (certificar apenas que tanto o router como outros equipamentos estão a usar o mesmo canal). Há também softwares que identificam o canal que oferece a melhor largura de banda, como o inSSIDer (para PC) ou o Wi-fi Explorer (para Mac), ou ainda o WiFi Analyzer (para Android) ou o Network Analyzer Lite (para iOs);

RESTRINGIR PROGRAMAS: Jogos online, vídeos e filmes em streaming, por exemplo, são atividades que exigem uma conexão à Internet constante e, como tal, podem comprometer o sinal da rede Wi-Fi. Aconselha-se o controlo do consumo de dados através do QoS (Quality of Service) que existe nos routers. O QoS permite priorizar algumas atividades em detrimento de outras, podendo-se ainda bloquear determinados programas;

ATUALIZAR O FIRMWARE: O firmware é um software que está instalado no router cujo intuito é o de controlar o hardware, sendo responsável por reter informação de forma a que não haja perda de dados após uma eventual falha de energia. Embora, por norma, se atualize e realize eficazmente as suas tarefas, poderão existir problemas mais sérios no router que impeçam o firmware de funcionar corretamente, pelo que se poderá requisitar à operadora uma atualização deste software;

DESLIGAR O MODO ECONÓMICO DO ROUTER: Alguns routers vêm configurados de origem com o modo “poupança de energia” ativado por padrão. Esta configuração pode reduzir a largura de banda desproporcionalmente, pelo que se poderá aceder às configurações de energia Wi-Fi e mudar para uma configuração de energia normal;

EVITAR UTILIZAR VPN E PROXY: Um proxy atua como um intermediário de maneira a aparentar que atividade online do utilizador vem de um outro lugar que não a sua casa ou escritório, algo que as Redes Virtuais Privadas (VPNs) também fazem ao "mascarar" a origem dos dados, fazendo com que pareçam vir de um outro local. Para uma melhor performance da conexão à Internet, a utilização de VPNs e proxies deve ser evitada, optando-se antes por utilizar um DNS padrão, como o Google Public DNS ou OpenDNS, que foram projetados precisamente para acelerar e ajudar a proteger a experiência de navegação na Web;

AUMENTAR O SINCRONISMO DA LIGAÇÃO: Cada cliente está sincronizado a uma determinada velocidade dependendo da distância face à central da operadora, à própria qualidade e estrutura da rede e do número de utilizadores. Para verificar se se pode pedir ao operador para sincronizar a uma maior velocidade, deve-se verificar o SNR (Signal to Noise Ratio) na página de configurações do router. O SNR deve ser sempre superior a 10 para evitar quebras no serviço, sendo que quanto mais alto for o SNR maior será a velocidade de sincronismo a que poderá aceder;

INVESTIR EM AMPLIFICADORES/REPETIDORES DE SINAL: Os sistemas de repetição ou amplificação de sinal Wi-Fi permitem o acesso à Internet naquelas divisões que ficam distantes do router, algo especialmente útil para quem tem uma casa com vários pisos (ou até com paredes muito grossas). Um dos métodos mais comuns transmite o sinal através da rede elétrica da casa, utilizando para isso pequenos emissores que se ligam às tomadas, os quais são de fácil instalação.

Foto: 123RF
Velocidade na rede fixa ‘trava’ à noite | © 123RF

2 comentários

  • Eu nâo diria melhor
    farsolas | 04.06.2018 | 21.15Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Portugal é um país de ladrões a maioria engravatada.
    Dono dos Burros | 02.03.2018 | 20.54Hdenunciar comentário
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