Mercado imobiliário

Crise traz remodelação de casas para a ribalta

11 | 03 | 2018   23.14H
As dificuldades económicas que se viveram a partir de 2010 tiveram duplo efeito: mais oferta de empresas de reabilitação e mais procura pelos clientes. Empresa estima que mercado vale mais de 7000 milhões de euros.
Destak | destak@destak.pt

Mais do que uma moda, a remodelação de imóveis é um mercado em crescimento. Basta andar pelas ruas das grandes cidades para verificar isso mesmo. Um nicho que não se restringe só às grandes recuperações de prédios devolutos, normalmente feitas por fundos imobiliários.

Muitos portugueses seguiram esta ‘onda’, fazendo pequenas obras não só para aproveitar o ‘boom’ do alojamento local mas também para usufruto próprio. «Temos um círculo virtuoso onde os portugueses passam a preocupar-se com o estado dos seus prédios e o conforto das suas casas», refere João Carvalho. O diretor-geral da MELOM, uma das maiores empresas do setor e dona de marcas como o Querido Mudei a Casa Obras, explica ao Destak que «passámos de uma lógica de compra de casa nova para uma lógica de reparação e manutenção dos nossos imóveis».

Um comportamento que «teve origem na crise imobiliária». É que uma casa que precise de obras passou a ser a única forma de muitas famílias ultrapassarem os preços galopantes da construção nova nas principais cidades. Mas os fatores económicos não se limitaram a mexer com a procura, também alteraram a oferta. «Se em 2010 existiam poucas empresas de construção que se dedicavam à remodelação de habitações, hoje existem mais profissionais, mais ajustados às expectativas dos clientes.»

O mercado das pequenas obras está «muito atomizado», o que dificulta o cálculo do seu valor. Mas João Carvalho faz uma estimativa do seguinte modo: uma habitação precisa de obras de 10 em 10 anos; uma simples pintura de interiores e substituição de pavimentos pode custar, em média, 5000 euros; se aceitarmos que 25% das casas do parque habitacional português (que está calculado em 5,7 milhões de fogos) têm pequenas reparações deste montante; então o valor potencial é de 7125 milhões de euros.

Todavia, em 2017, a MELOM viu o valor médio de obra aumentar para 20 000 euros, enquanto os pedidos de intervenção subiram 20%. E abriu 51 novos franchisings. Para esta alavancagem tem sido fulcral «a abertura da banca para empréstimos para mudar de casa ou mudar a casa». O financiamento rápido de obras até 50 000 euros é um exemplo de como «o financiamento não é impeditivo da realização de obras».

Os arranjos em casa são motivo frequente de queixas, o que acontece porque «as regras nem sempre estão bem definidas». Para evitar isso, é fundamental ter «orçamentos bem detalhados e transparentes». Mas como «existe muita pressão pelo lado do preço da empreitada, os intervenientes deixam temas indefinidos ou mal explicados e depois na obra logo se vê». O que «é o pior cenário possível».

Daí que se deva exigir sempre um «orçamento detalhado em preço, materiais a aplicar e duração», além de que o empreiteiro também deve fornecer uma cópia do alvará de construção e prova de que os seguros estão em dia. «É o mínimo para avançar com uma obra.»

PROJETO DE 200M€ PARA INCENTIVAR A REABILITAÇÃO

Já está operacional o Programa Casa Eficiente 2020, que tem 200 milhões de euros para dinamizar obras de reabilitação e de melhoria da eficiência energética. Qualquer entidade (individual ou coletiva) pode aceder a crédito com taxas de juro abaixo das do mercado. Todas as informações estão num balcão digital (http://casaeficiente.com), nomeadamente que obras são financiadas, as poupanças estimadas ou as empresas habilitadas para o serviço. Também está prevista a criação de um simulador.

Foto: DR
Crise traz remodelação de casas para a ribalta | © DR

1 comentário

  • Remodelações de fachada, rendas proibitivas para os autóctones, o 'boom' turístico que há de passar e lá fica tudo pior do que antes: a cidade descaracterizada, sem história de gente para contar, Portugal a ir-se...
    Kàrlitos | 12.03.2018 | 22.05Hdenunciar comentário
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