Entrevista aos The Happy Mess

«Esquecemo-nos de viver o presente»

22 | 04 | 2018   23.15H
Sem pressas, banda que lança agora o disco “Dear Future”, o terceiro na carreira, afirma-se como referência incontornável da pop lusa. Miguel Ribeiro tem a palavra.
Destak | destak@destak.pt

Começando pelo título, Dear Future, o que vos inspirou para este vosso terceiro disco de originais? Algum conceito mais ou menos escondido?

Este título acaba por se referir a uma espécie de narrativa para o futuro. Quando começámos a decidir o nome do disco, percebemos que havia um denominador comum nas letras, um núcleo comum que tem a ver com a linha do tempo. Muitas das canções falam do tempo, umas vezes a esgravatar o passado, outras a abordar as inquietude do presente, e ainda outras a olhar para o futuro. Ao mesmo tempo, há aquela ideia de que o futuro nos condiciona, na perspectiva em que andamos sempre a viver em função de um futuro idílico, achamos que a felicidade está no futuro, e esquecemo-nos de viver o presente. É bonito sonhar, mas ao mesmo tempo isso condiciona as pessoas a não viver o momento.

Vocês são uma banda assumidamente e descomplexadamente pop. Como vêem o estado da pop em Portugal?

Acho que estamos a viver uma fase extraordinariamente positiva em termos de criação musical em Portugal, com uma enorme abertura. Nesse capítulo, temos sentido essa abertura no sentido de conquistar novos públicos. Dá a ideia que as pessoas estão mais atentas, mais abertas a experimentar outros sons.

Falando em música e estética pop, como é que o Rui Maia surge na produção deste disco?

Ele já tinha trabalhado connosco no disco anterior. Nós escolhemos o Rui pelas suas ‘skills’ enquanto músico e produtor. Queríamos dar ao disco uma frescura diferente. Quando pensámos no produtor, foi uma escolha praticamente automática e incontornável. Temos grandes cumplicidades musicais e estéticas com o Rui.

E como surge a oportunidade de convidar a Rita Redshoes para cantar no primeiro single do álbum, Waltz for Lovers?

Nós já tínhamos pensado nela para o disco anterior, mas nem sequer ousámos fazer o convite, que acabou por ficar para outras núpcias... que acabaram por ser este disco! Enviámos-lhe o single e o convite e ela, no mesmo dia, respondeu-nos que tinha gostado muito do tema e que aceitava o convite. Foi uma escolha intuitiva.

Foto: Carlos Ramos
«Esquecemo-nos de viver o presente» | © Carlos Ramos
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