Entrevista

«Os 50 é uma idade de balanço»

01 | 06 | 2018   00.37H
No livro “Sem Medo dos 50”, Vera Valadas Ferreira, com ajuda de 17 ilustres, tenta dar resposta à questão: o que significa ser “cinquentão” nos dias que correm?
Destak | destak@destak.pt

Elisabete Jacinto, João Quadros, António Pires de Lima, Xana Nunes ou José de Guimarães, entre outras, são algumas das personalidades portuguesas na casa dos 50 anos de idade que a jornalista convidou para colaborar no seu livro de estreia.

Sei que tens 43 anos. Porquê este livro quando ainda estás a uns aninhos dos “temidos” 50 anos? Estás-te já a preparar? Como te surgiu a ideia deste livro?

Na verdade, esta era uma ideia antiga da editora Livros Horizonte, que queria fazer um livro de entrevistas sobre a vida aos 50 anos de idade. Isto porque os 50 são uma faixa etária um pouco esquecida. O que é uma injustiça: é uma faixa etária muito importante na nossa sociedade, com uma grande força produtiva, que toma conta de si, dos descendentes e, muitas, vezes, dos ascendentes. É injustiça não falar dos 50. Além disso, há aquela teoria de se dizer que os 50 anos são os novos 40 e por aí fora...

E a que conclusões é que chegaste sobre o que representa ter 50 anos hoje em dia?

Uma das coisas que me apercebi que os 17 entrevistados mostraram ter em comum, foi que nenhum se sente nos seus 50. Sentem-se todos mais jovens. Sentem-se mais jovens do que os seus pais e avós quando tinham 50 anos. Além disso, são mais ativos fisicamente: aquela ideia de que com esta idade uma pessoa é mais sossegada e já não reage tanto a estímulos físicos, intelectuais, culturais ou amorosos está completamente ultrapassada.

Como lidas com o avançar da idade?

Lido bem. Pessoalmente, acho que lido melhor agora do que quando tinha 20 ou 30 anos. O importante, além de saúde e essas coisas, é perceber que os 50 é uma idade de balanço, porque, em princípio, já vivemos mais de metade da nossa vida, mas ainda há muita coisa por fazer.

A lista de personalidades com quem colaboraste na feitura deste livro é bastante ecléctica. Qual foi o teu critério? Porquê estes “cinquentões” em particular?

Era importante serem pessoas diferentes entre si, ligadas a áreas distintas. Não conhecia a maior parte delas antes de começar o livro e acabou por ser um desafio convidar as pessoas e seduzi-las com este projeto. Todas acabaram por aderir muito bem à ideia e ficaram muito entusiasmadas. A maior parte das vezes falei com os entrevistados em ambiente intimista e isso acabou por dar um tom confessional aos depoimentos e testemunhos.

Criar uma relação de confiança com os teus entrevistados foi o grande desafio que enfrentaste neste projeto?

Sim, até porque muitas não estão habituadas a falar de si.

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