Seleção Nacional no Mundial

Pólvora seca com artilharia no banco

03 | 07 | 2018   00.11H
Olhando para o desempenho nos clubes, os dois médios com mais golos foram os que jogaram menos, quando a própria linha avançada não era muito profícua.
João Moniz | jmoniz@destak.pt

Portugal sentiu imensas dificuldades para acertar nas redes contrárias durante este Mundial. A rentável relação entre Cristiano Ronaldo e André Silva durante a qualificação, onde foram das duplas mais goleadoras, não se manteve durante a fase final e a equipa nunca encontrou alguém que acompanhasse o capitão no que toca a fazer golos e ressentiu-se disso.

Nos oitavos de final, apesar de ter pressionado o Uruguai durante larga parte do jogo, a Seleção Nacional praticamente não deu trabalho a Muslera (ver texto em baixo). Muito deste insucesso ficará a dever-se às dificuldades em ataque organizado, o que não deixa de ser contranatura face à criatividade de muitos jogadores lusitanos.

Só que à técnica pura de jogadores como João Mário, Bernardo Silva ou até Gonçalo Guedes faltou sempre acutilância no último terço e maior poder de fogo, nomeadamente com uma presença efetiva na área dos adversários. Um problema que nunca foi resolvido, apesar de ser previsível.

Basta ver que, ao longo da época no Real Madrid, Cristiano Ronaldo marcou mais golos (44) do que os restantes cinco avançados convocados (43). E, entre esses, aquele que demonstrou melhor pontaria (Gelson Martins com 13 golos) foi o que jogou menos tempo (31 minutos contra os 245 de Gonçalo Guedes que só fizera 6 golos).

Esta tendência alastrou-se aos jogadores de meio-campo. Os dois elementos com melhor remate – logo mais golos marcados – foram quem esteve mais tempo no banco: Manuel Fernandes, apesar dos 14 golos, jogou 5 minutos e Bruno Fernandes (16 golos) esteve em campo 88 minutos.

Os restantes quatro médios (William Carvalho, João Moutinho, Adrien e João Mário), que tiveram uma utilização largamente superior, juntos só tinham marcado 5 golos ao longo da época: seis vezes menos do que os dois colegas em conjunto.

SELEÇÃO ACERTA UM QUARTO DOS REMATES NA BALIZA

A estatística vale o que vale, mas muitas vezes ajuda a explicar os acontecimentos. Para eliminar Portugal, o Uruguai só precisou de fazer 6 remates, 3 dos quais foram à baliza e 2 deram golo, ambos da autoria de Cavani, que teve um aproveitamento de 66,7% (rematou 3 vezes).

Já Portugal teve 20 remates, mas só 5 acertaram na baliza (um em cada quatro, portanto), com 7 ao lado e 8 intercetados. Uma média que se verificou ao longo do torneio: 14 bolas enquadradas em 52 tentativas (26,9%), com 20 a irem para fora e 18 a esbarrarem em jogadores contrários.

Foto: EPA/Mohamed Messara
Pólvora seca com artilharia no banco | © EPA/Mohamed Messara
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