Entrevista a Janeiro

«Cada canção é um fragmento de mim»

08 | 07 | 2018   23.25H
Com “Fragmentos”, apresenta-se como uma das maiores promessas da pop lusa contemporânea. Falámos com o músico de Coimbra, que toca no Marés Vivas 2018.
Destak | destak@destak.pt

As pessoas já te conhecem de andanças como o Festival da Canção, mas a verdade é que este "Fragmentos" é o teu álbum de estreia. Quem é o Janeiro?

Nasci e cresci em Coimbra, e mais tarde fui estudar para Lisboa, onde fiz também formação no Hot Club. Comecei depois a escrever as minhas próprias canções e lá para 2015 lancei o meu primeiro EP, homónimo, de forma a apresentar-me à indústria. Agora surge este LP, que resulta de um longo processo de dois anos: todas as músicas foram escritas por mim e em português. Dei-lhe o título de "Fragmentos" porque cada canção é um pedaço, um fragmento da minha vida.

Sentes-te bem com alguma da exposição a que te sujeitas enquanto compositor e letrista?

Sim, porque sinto que tenho essa habilidade para conseguir ser metafórico e não ser completamente explícito. Mas nestas coisas há sempre uma parte da tua vida pessoal que fica exposta. Para os amigos sou o Henrique, e enquanto músico sou o Janeiro.

É uma forma de separar as coisas.

Este é um disco com um encanto muito caseiro e intimista. Só podia ser criado nos dias que correm, com a democratização de meios e ferramentas advinda da internet?

Completamente. Neste momento a internet quase que funciona como se fosse o filtro da indústria discográfica. Isso é super-importante. Quanto ao sabor intimista que este disco transmite, isso foi algo que eu procurei, desde as sonoridades às fotografias e ao design gráfico do álbum. Todo ele é minimalista.

Nos últimos tempos comecei a ficar com a ideia de que há por aí uma nova geração de músicos pop portugueses que está a dar cartas: tu, Agir, Piçarra, Isaura, Carolina Deslandes e por aí fora… Concordas comigo?

Sinto que há algo a começar, a arrancar. Mas concordo contigo: há aqui uma nova montra de artistas e músicos contemporâneos portugueses a desenvolver-se, a fazer muito boas canções e a produzir. Isso também vem do que falavas há pouco sobre a tal democratização de meios e tecnologia que a internet tem proporcionado.

Foto: DR
«Cada canção é um fragmento de mim» | © DR
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE