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Cinema

Capitão Marvel: um interlúdio que não desafina

05 | 03 | 2019   23.00H
Estreia esta quarta-feira Capitão Marvel , o 21º filme do Universo Cinematográfico Marvel (UCM), onde se aborda exclusivamente o passado (a ação passa-se nos anos 90) e se deixa antever (muito) pouco o futuro.
João Moniz | jmoniz@destak.pt

Depois de Mulher-Maravilha ter sido a personagem mais consensual dos últimos filmes da DC Comics, a Marvel convenceu-se a dar maior protagonismo às mulheres. Um movimento que começou com Homem Formiga e a Vespa até, finalmente, atingir todo o seu esplendor com Capitão Marvel , filme que estreia esta quarta-feira mas que o Destak já visionou.

Os fãs da BD saberão há muito que Carol Danvers, personagem protagonizada por Brie Larson, é de longe o super-herói mais poderoso de que a Terra dispõe para se proteger. Não é segredo nenhum que, depois de Vingadores: Guerra Infinita , é ela a grande esperança para inverter um já tenebroso presente e um incerto futuro.

Esta conjuntura acaba por lançar duas questões: onde andou esta heroína durante tantos anos quando a Terra era ameaçada das mais variadas formas? E como vai ela equilibrar as forças contra Thanos, o grande vilão do universo? Não será nenhum spoiler dizer que, pelo menos a 100%, nenhuma das perguntas é inteiramente respondida.

Mais do que uma prequela, Capitão Marvel é um interlúdio, que no sentido figurado o dicionário define como “lapso de tempo que interrompe alguma coisa”. Para os fãs do UCM, é isso que este filme será. Um intervalo entre os dois últimos Vingadores . Mas isso não tira interesse a este filme. Antes pelo contrário.

Capitão Marvel recupera a receita de sucesso desta saga: um humor inteligente, pincelado com uma boa banda sonora, e um enredo que é percetível por quem nunca tenha visto um filme do UCM mas preenchido de ligações aos outros filmes, para gáudio dos fãs. Como a história do filme se passa nos anos 90, há o extra de revermos vários personagens entretanto desaparecidos.

É o caso do agente Phil Coulson (talvez menos presente do que o esperado), mas sobretudo de Nick Fury. O personagem de Samuel L. Jackson é dos melhores aspetos deste filme, uma vez que acompanhamos o “processo de fabrico” do icónico diretor da SHIELD numa fase precoce da sua carreira – e, sim, ficamos a saber o que lhe aconteceu ao olho esquerdo.

Quanto à protagonista, e na sequência da polémica das últimas semanas – em que Brie Larson se queixou de algum anti-feminismo – o seu desempenho poderá não ser consensual, mas a atriz merecerá o benefício da dúvida. Até porque não chegamos a ver todo o potencial da Capitão Marvel em ação, antes acompanhamos o período conturbado em que ela própria se está a descobrir.

E, sim, toda a narrativa acaba por partir de um ponto muito feminista. O que não precisa de ser necessariamente bom ou mau. Foi uma opção legítima que, por muito que agora se queira atenuar a discussão, acaba por ser indesmentível: sem prejuízo daquelas figuras que já haviam surgido antes noutros filmes (ainda que mais tarde na cronologia), todas as novas personagens marcantes de Capitão Marvel são mulheres.

Duas notas finais: uma positiva, para a bonita homenagem a Stan Lee logo no início do filme, para além do cameo habitual; e uma negativa, neste caso para o 2º teaser depois de concluído o filme - suportar sete minutos de créditos só para ver um apontamento de comédia, que não acrescenta nada, é de utilidade (muito) discutível. Já o 1º teaser, pelo qual só é preciso esperar dois minutos, acrescenta pouco aos trailers de Vingadores: Ultimato já conhecidos.

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