Vingadores: Endgame

O fim de um ciclo feito com naturalidade

24 | 04 | 2019   14.28H
Já com algumas sessões esta quarta-feira e estreia nacional na quinta, Endgame não tira um coelho da cartola, seguindo um rumo lógico até ao final. Um filme que deverá agradar aos fãs do UCM
João Moniz | jmoniz@destak.pt

Não terá sido por acaso que em Portugal se preferiu manter o título do último Vingadores na versão original. A tradução no Brasil - Ultimato - faz muito menos sentido depois de efetivamente se ver o filme - o que o Destak já fez esta quarta de manhã. Porque o 22º capítulo do Universo Cinematográfico Marvel (UCM) é muito mais do que isso.

Endgame é um fechar de ciclo, como já se esperava. Embora a chamada fase 3 só termine com o segundo filme do Homem-Aranha, é impossível não sair da sala de cinema após Endgame com uma sensação de closure - a melhor palavra em português será mesmo cessação. A própria Marvel parece salientar esse facto: pela primeira vez, não há cena pós-crédito a levantar a ponta do véu sobre o que se segue.

A forma como o filme termina poderá não ser unânime - dificilmente seria - mas é verosímil e lógica. O que revela um grande feito: escapar à tentação de inventar qualquer coisa que depois não faria sentido. Sobretudo consegue deixar resolvida (para o bem ou para o mal) a história de cada um dos seis heróis principais: as suas angústias, incertezas, a determinação que marcou o caminho de cada um e que influenciou a forma como contribuíram para o grupo e para os seus (in)sucessos.

E isto ao mesmo tempo que deixa caminho aberto para as personagens a quem já se sabe que o futuro pertence - Homem-Aranha (que até já tem trailer para o filme que estreia em julho), Doutor Estranho, Black Panther ou Guardiões da Galáxia têm sequelas anunciadas. E convém relembrar que o UCM será inevitavelmente revolucionado depois de a Disney ter comprado em março a 21st Century Fox, estúdio com os direitos dos X-Men, por exemplo.

Tempo para processar

Ao contrário de Guerra Infinita , que quase chega a ser esquizofrénico com tantos pontos e locais de ação, Endgame é mais lento (mas não aborrecido), dando maior espaço e tempo de interpretação aos atores. Os trailers já tinham dado essa indicação e não enganaram ninguém: este filme é como quando perdemos uns minutos a olhar para um álbum de fotografias antes de um evento importante ou quando decidimos seguir um novo rumo.

Os críticos dirão que é lamechas, mas as pitadas de humor continuam a marcar presença. Sem incorrer no risco de revelar spoilers, é seguro dizer que Thanos não é o protagonista desta vez, com os holofotes a virarem-se de novo para o sexteto revelado na fase 1: Homem de Ferro, Capitão América, Hulk, Thor, Viúva Negra e Gavião Arqueiro.

Com todo o sofrimento acumulado, seria impossível não haver várias cenas que apelam à lágrima - o melhor será mesmo levar um maço de lenços e, já agora, ir ao WC antes do filme, que demora três horas. Mas toda a narrativa acaba por funcionar como um rio: a força da corrente é muito mais percetível quando se conhece cada um dos afluentes.

Dito de outra forma, ao contrário de outros filmes do UCM que valiam só por si, permitindo a dispensa do visionamento prévio de cada um dos seus antecessores, Endgame tem um cordão umbilical a cada um dos seus 21 precedentes. Vê-lo sem ter em atenção o que se passou antes fará com que se perca muito do seu sentido.