Entrevista/Melech Mechaya

"Fazemos sonoridades e ritmos dançáveis"

28 | 07 | 2009   18.24H

Que música ouviram ao longo da vossa vida até formarem uma banda, em 2006, que toca um género musical sem tradição em Portugal?

Sempre ouvimos um bocado de tudo, e se calhar nunca ouvimos música deste género. Sempre ouvimos mais músicas de outras áreas. Bonjovi, Elton John [risos]. Penso que foi mais uma coincidência: desde que começámos a ensaiar é que desenvolvemos mais o interesse pela música [klezmer].

A interacção com o público parece ser determinante nos vossos concertos. Poderia haver Melech Mechaya sem dança?

Temos a tendência de puxar para o lado da dança, de fazer sonoridades e ritmos que sejam dançáveis. Só que num auditório, por exemplo, nem sempre é fácil dançar. Bailamos nós em palco. Muitas vezes quando tocamos em espaços para plateias sentadas, tentamos usar o palco como uma extensão sem cadeiras da plateia. Puxamos o pessoal para cima do palco. Eventualmente vão-se embora.

Quais as diferenças mais relevantes entre o EP [Melech Mechaya, 2008] e o disco de estreia [Budja Ba, 2009]?

O EP é mais homogéneo em termos de sonoridades e de ritmos. É um objecto muito mais curto e, na altura, achámos que isso fazia sentido. O disco é uma viagem um bocadinho mais longa, tem mais paragens, tem momentos diferentes uns dos outros que o EP necessariamente não tem.

No vídeo promocional à vossa banda, no site do FMM, há um comentário onde se lê: “Ainda bem que vos descobri, o mundo parece menos triste”.

A sério? Isso é tão bonito. Quanto é que lhe pagaram por isso? Não sabiamos disso. Isso é muito bonito. Agora que descobrimos esse comentário também somos felizes. Agora somos mais felizes por ela estar feliz. O mundo é feliz.

Têm um concerto marcado num festival croata em Agosto. Pelas características da música popular dos Balcãs, que tem muitos elos de ligação à vossa, é talvez o destino onde vão encontrar um público mais conhecedor daquilo que fazem.

Esse será o quarto concerto no estrangeiro; os três anteriores foram na Galiza. Estamos na expectativa, mas não achamos que signifique uma porta aberta para o estrangeiro. É uma experiência. Vai ser muito positivo para nós, mas não acho que estejamos nem de perto de longe no circuito europeu e internacional. Vai ser um público provavelmente bastante mais crítico, parte-se do pressuposto que tenha muito mais experiência do que outros, que não seja uma música nova para eles. Talvez seja é uma abordagem nova.

Vamos dar um salto, digamos, de dez anos. Esperam nessa altura já ter ganho um estatuto que vos permita deixar para segundo plano os empregos comuns que todos têm?

Nenhum de nós, já falámos disso, estaria disposto a dedicar-se 100 por cento aos Melech. Simplesmente porque há outras coisas que nos realizam. Todos temos profissões diferentes e tiramos gozo delas. Acho que é mais nesse sentido. Se conseguirmos chegar longe sem ter de deixar a 100% as outras coisas... acho que é tudo compatível. Até a banda funciona muito melhor. Há mais motivação, mais equilíbrio.

Rui Alexandre Coelho | rcoelho@destak.pt
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