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Crise afecta mais as slot-machines nos casinos

01 | 10 | 2009   09.53H

Já no Euromilhões e outros jogos sociais, a adesão flutua em função dos jackpots, enquanto nos jogos na Internet, que cada vez têm mais adeptos, a crise tanto faz aumentar como diminuir as apostas.

Para Assis Ferreira, presidente do Grupo Estoril-Sol, que integra três casinos, existe um "mito" sobre a tendência para uma maior afluência ao jogo durante as alturas de crise, o que "não deixa de ser uma acepção marginalmente correcta".

No entanto, sublinha, há dois tipos de crise: a passageira, na qual as pessoas pensam que o jogo é uma forma fácil de ganhar dinheiro e a de "carácter estrutural" como a actual. Esta tem uma dimensão global e acarreta "problemas de natureza psicológica", como insegurança e falta de confiança, distingue.

Quem tem emprego "tem um rendimento líquido disponível claramente superior àquele que tinha no ano passado", mas "não sabe quanto mais tempo vai estar empregado", frisa.

Por isso, mesmo não havendo redução de afluência aos casinos - "nalguns casos até se pode dizer que há acréscimo" -, a "capacidade de consumo [dos jogadores] ou da sua auto-contenção é que diminuiu significativamente", o que explica a queda de receitas, explica.

Os três casinos da Estoril-Sol (Estoril, Lisboa e Póvoa de Varzim) perspectivam uma queda média nas receitas brutas de 9,5 por cento até ao final do ano, o que traduz perdas entre 25 e 30 milhões de euros. Uma descida que representa "metade do que a generalidade dos outros casinos portugueses têm".

Pelo Observatório Transnacional de Jogo Remoto, Luís Rebordão nota que a "indústria do jogo online, que continua em crescimento, tem ficado relativamente incólume ao descalabro económico dos últimos tempos".

Impulsionador de várias investigações na área, refere que os apostadores na Internet "continuam a fazer apostas, alguns menos do que antes por uma questão de prudência e receio de um futuro incerto".

"Mas outros apostam mais, na esperança de obter ganhos que permitam fazer face à diminuição de rendimentos", acrescenta Luís Rebordão, mencionando ainda os jogadores com personalidade mais aditiva, que "continuam a apostar imoderadamente".

Já Fernando Barrigana, do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, explica que, "em regra", a participação no Euromilhões e nos restantes jogos sociais "flutua um pouco em função do valor do jackpot".

"Quando celebrámos o quinto aniversário da participação de Portugal no Euromilhões [a 18 de Setembro], houve um incremento de apostas na ordem dos 30 por cento com um prémio de 100 milhões de euros", adianta.

Mais dependentes da crise, os casinos sofrem sobretudo a nível das máquinas automáticas (slot-machines), "mais do que nas áreas de jogo bancados, onde, tal como, por exemplo, na área da construção civil e na venda de imobiliário, é nos apartamentos de classe média que se sente a crise", compara Assis Ferreira.

O também presidente da assembleia geral da Associação Portuguesa de Casinos nota, porém, que é nas slot-machines que se "encontra o espelho sociológico da sociedade portuguesa".

"Os apartamentos de luxo, esses, continuam a vender-se e pelo preço que estão em causa. Só que há um grande problema: dentro da tipologia dos casinos portugueses, as máquinas automáticas representam 85 por cento da sua facturação", destaca.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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