Backstreet Boys de volta e em forma
Ninguém diria que a média de idades ronda os 30 e poucos, pois a energia com que se apresentaram perante os milhares de fãs na noite de ontem, no Pavilhão Atlântico, foi a mesma com que há 16 anos formaram aquela que é considerada a maior boysband do mundo. E ainda no activo.
Ainda iam no segundo álbum, em 1997, e já prometiam no single “Everybody (Backstreet’s Back)” que enquanto houvesse música, estariam sempre de volta («as long as there’ll be music, we’ll be coming back again»). E parece que não têm faltado à promessa – apesar de alguns contratempos, como a saída de Kevin da banda, de projectos a solo e os últimos trabalhos não venderem tanto como antigamente.
E dada a afluência ao Pavilhão Atlântico esta sexta-feira à noite, as fãs continuam a seguir a carreira. Cachecóis à cintura, ao pescoço ou esticados no ar surgiam dos balcões cheios e da plateia semi-preenchida: as adolescentes que ouviam a boysband nos tempos áureos estão agora na casa dos 20, mas isso não as impediu de estar presente na “chamada” dos rapazes de Orlando, pois assim que as cortinas vermelhas ganharam contacto com o chão e as escadas metálicas surgiram do escuro, a vontade de os ver traduziu-se em muitos agudos.
Assim que romperam o ecrã – onde minutos antes havia passado um vídeo deles –, os “rapazes da rua de trás” deram corpo a um espectáculo bem movimentado e quase ininterrupto durante cerca de hora e meia, desfilando os grandes hits para delícia das saudosas dos anos 90, alternando com músicas do novo disco This Is Us.
Brian, Nick, Howie e AJ abriram com “Everybody (Backstreet’s Back)" com as coreografias bem ensaiadas e a mostrar que ainda se mexem (e bem!). Logo de seguida, sem pausa, arrancou “We’ve Got It Goin’On”, desta vez com a companhia de quatro bailarinas para todos os gostos (uma loira, uma morena, uma negra e uma asiática). Ainda antes do medley “Quit Playin’Games (With My Heart) / As Long As You Love Me”, aproveitaram para introduzir o recente “PDA”.
Cantores… e actores de cinema!
E se em entrevistas tinham prometido que os espectadores iriam ter a sensação de estar a ver um filme, novamente a promessa não saiu gorada, já que os presentes tiveram direito a soltar uma gargalhada ao ver quatro vídeos, cada um protagonizado por cada um dos elementos do grupo: Howie “caiu de pára-quedas” numa corrida de carros contra Vin Diesel em «Fast and Furious»; AJ ditou as oito regras a Edward Norton, em «Fight Club»; Brian encarnou um príncipe em apuros em «Enchanted (Uma História de Encantar)»; e Nick, por último, foi o escolhido Neo em «The Matrix».
Amor e dança
Os namorados que foram “arrastados” para o Multiusos da Expo agradeceram os momentos românticos proporcionados por “Show Me The Meaning Of Being Lonely”, “All I Have To Give”, “I’ll Never Break Your Heart”, “Shape Of My Heart” e “More Than That”. Contudo, foi “Incomplete” que arrebatou os corações apaixonados ou partidos, que numa só voz entoaram o refrão da música.
Para contrapor o prato da balança de temas pop com a temática do amor, ouviu-se um dançável “The One” e um cibernético “Larger Than Life”, auxiliados por uma componente cénica muito visual e com efeitos luminosos.
Contas feitas e saldo conferido, o agora quarteto fez um positivo arranque da digressão europeia em Portugal com uma festa que pendeu sempre para a tónica romântica, a tal que lhes valeu os milhões de discos vendidos em todo o mundo.
No entanto, no meio de um regresso ao passado, temas novos como “Straight To My Heart”,“Bigger”, “She’s a Dream” ou “Bye Bye Love” tocaram algo despercebidos à maioria das pessoas, que provavelmente ainda desconhecem o conteúdo de This Is Us. O que não significa que a relação entre as fãs e a banda esteja para acabar, porque, quem pôde observar ontem à noite, o “amor” está para durar e Brian, AJ, Howie e Nick, apesar de serem cada vez menos boys, ainda arrancam suspiros por onde passam.
Madcon souberam a pouco
À dupla norueguesa Madcon coube a fácil tarefa de fazer a primeira parte da noite, pois bastou-lhes uma mesa de mistura com uma cortina vermelha como pano de fundo para animar as hostes, que tão bem aderiram ao ritmado e bem-humorado hip hop de Kapricon e Critical.
“Beggin” e “Liar”, os dois singles mais conhecidos do trabalho So Dark The Con Of Man, levaram a medalha de prata para casa, já que os 25 minutos que estiveram em palco deixaram o povo do Atlântico com vontade de assistir a um concerto da dupla em nome próprio [lembre-se que os Madcon cancelaram o espectáculo em Março deste ano, no Coliseu dos Recreios, estiveram presentes no Festival Sudoeste e regressaram agora para abrir o concerto dos Backstreet Boys].




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