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política

As aventuras das ministras

02 | 11 | 2009   08.45H

ISABEL ALÇADA - EDUCAÇÃO

Aprovar uma avaliação antes chumbada

Famosa pelos livros infantis, Isabel Alçada está no meio de uma 'guerra' que não é para 'meninos'. A resolução dos problemas que são o proces-so de avaliação de professores e o Estatuto da Carreira Docente - nomeadamente a divisão entre professores titulares e não titulares - será o primeiro teste de fogo à filosofia de diálogo apregoada pelo novo Governo.

Se por um lado o primeiro-ministro não deverá querer ceder totalmente nos princípios que também eram seus, por outro a oposição já deixou claro que discorda completamente das actuais regras, estando preparada para avançar com alternativas. Cabe pois a Isabel Alçada, já a partir de hoje, ter a capacidade de gerar consensos entre facções que parecem, mais do que nunca, completamente afastadas.

Para tal terá a preciosa ajuda dos seus secretários de Estado, muito bem vistos pelos sindicatos, sobretudo Alexandre Ventura, que presidia ao Conselho Científico para a Avaliação de Professores.

MARIA HELENA ANDRÉ - TRABALHO

Como convencer patrões a darem mais aumentos

Habituada às tensões das negociações laborais, a antes sindicalista Maria Helena André não vai estranhar o ambiente tenso que a espera nos próximos dias. De um lado estão as intersindicais, que tem feito finca pé na necessidade de aumentar os vencimentos em 2010; do outro estão as confederações patronais, que apelam à moderação salarial em tempos de crise económica.

Para piorar o cenário, até o aumento acordado no salário mínimo - subida para 475 euros mensais - está a ser posto em causa pelos patrões, que temem o efeito ricochete que aumentos de 5% possam ter nas outras categorias profissionais. Só que os sindicatos têm a seu favor as promessas socialistas e o apoio de BE e PCP - os comunistas já anunciaram que vão propor que esta remuneração atinga os 600 euros até 2013.

Paralelamente, a ministra terá ainda de enfrentar as críticas ao novo Código Contributivo da Segurança Social, um documento que está longe de ter gerado consenso.

ANA JORGE - SAÚDE

A dificuldade de colocar o cidadão no centro do SNS

Médicos, enfermeiros e farmacêuticos elogiaram a recondução de Ana Jorge como ministra da Saúde, mas os especialistas na área alertam para aquilo que significa um consenso entre as classes. A primeira a desconfiar, dizem, devia ser a própria ministra, para não falar nos eleitores.

Porque, na prática, o grande desafio que Ana Jorge tem pela frente é o de colocar o cidadão no centro do sistema, e essa tarefa desagrada a muitos. O SNS é devorador de dinheiros públicos e ineficaz, como qualquer utente pode confirmar. Se a situação não se inverter, irá à falência. Daí a urgência de exigir que os profissionais de saúde produzam o equivalente às horas que lhes pagam, e os equipamentos sejam rentabilizados, pelo menos ao mesmo nível do que fazem os privados.

Logo, é preciso avaliar cada hospital, e o controlo da sua produtividade, centralizando as compras do SNS. A ministra precisa de gestores competentes, e de resistir aos protestos de quem prefere que tudo fique na mesma.

DULCE PÁSSARO - AMBIENTE

Sim ou não a tantas barragens e ao nuclear

A nova ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território chega com uma vantagem: o seu antecessor não era amado pelos profissionais da área. Mas os problemas são os mesmos, com a ques-tão energética no topo: sim ou não ao nuclear, numa questão que se arrasta; sim ou não a tantas barragens (as 10 previstas parecem tão excessivas como os estádios para o Euro'2004); apostar mais ou menos na energia eólica, com todos os prós e contras de cada solução.

Terá ainda que decidir o que fazer ao Instituto de Conservação da Natureza, responsável pelos parques naturais e reservas, que está de mãos e pés atados por falta de verbas. Esperam de Dulce Pássaro uma confirmação da importância do seu trabalho, e meios para o executar.

Considerados por muitos uma forma vergonhosa de dispensar estudos de impacto ambiental, permitindo projectos que de outra forma não seriam autorizados, os Projectos de Interesse Nacional são outro problema.

GABRIELA CANAVILHAS - CULTURA

A pianista com o desafio de esticar dinheiro

Desconhecida na política, mas versada em várias áreas da Cultura - além de reputada pianista e ex-apresentadora de programas na Antena 2, já trabalhou com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e várias fundações - Gabriela Canavilhas já reconheceu que o 1º grande desafio da pasta é o constrangimento orçamental.

Sócrates «sabe que é necessário» dotar o sector com mais meios financeiros, garantiu, explicando estar mal habituada, pois nos Açores - onde foi Directora Regional da Cultura - tinha 3% do orçamento, enquanto no Governo a fatia tem sido de 0,4% e agora não há de ir além de 1%.

A ministra, que coloca a cultura como um sector estratégico, tem o apoio de várias associações que esperam mais enfoque nos seus sectores. Com a Guimarães- Capital Europeia da Cultura 2012, terá, sobretudo, áreas para reestruturar e reclamações para aceder, com o desafio de tornar Portugal mais criativo e moderno culturalmente.

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CITAÇÕES

«A escolha da antiga dirigente da UGT , Mª Helena André, para a pasta do Trabalho foi uma excelente surpresa» - João Proença, UGT

«Espero disponibilidade de Isabel Alça-da para o diálogo, a negociação e a concertação» - João Dias da Silva, Secretário-geral da FNE

«A escolha de Gabriela Canavilhas prova que o que é bom para os Açores, também é bom para Portugal» - Carlos César, Presidente do Governo Regional dos Açores

«Dulce Pássaro é uma pessoa por quem tenho muita consideração e estima. Tenho a certeza de que vai fazer um excelente trabalho» - Nunes Correia, Ex-ministro do Ambiente

«Ana Jorge demonstrou a diferença que pode fazer um ministro médico, que conhece o sector, e os que a antecederam, mais preocupados com factores económicos» - Pedro Nunes, Bastonário da Ordem dos Médicos

Patrícia Naves | pnaves@destak.pt || João Moniz | jmoniz@destak.pt || Isabel Stilwell | editorial@destak.pt
Foto: Lusa
As aventuras das ministras | © Lusa
Isabel Alçada, a ministra com o maior desafio

7 comentários

  • Esta Ministra, se quiser governar no interesse de Portugal, tem muito que fazer. Porque os partidos da oposição são representados por corruptos vendem os interesses de Portugal por uma mão cheia de votos dos professores.Toda a gente sabe que os professores fogem da avaliação como o diabo foge da cruz. Eu, até cpmpreendo bem estes professores, se os alunos em Portugal, tem tão mau resultado, é porque os professores são incopetentes, nisto ninguém tem dúvidas.
    sete | 08.11.2009 | 19.02Hdenunciar comentário
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  • O mal do país é que os ministros se metem em demasiadas aventuras que colocam em preigo o país. Governar não deverá nunca ser uma aventura mas algo muito sério.
    Quem não quer sacrifício não deve aceitar certos cargos. Ninguém lhes pediu para irem para o governo. Deixem governar aqueles que amam o país e que por ele dão a vida e fazem sacrifícios.
    Tem que haver uma forma de que apenas sejam escolhidos aqueles e aquelas que quando no exercicio de coisas publicas dediquem ao seu país o seu total esforço e amor. Nunca aqueles que querem para si o esforço que o Povo faz para os sustentar.
    Não há dia que não surja uma nova máfia de corruptos. Não há dia em que se não venha a descobrir que o país está minado desde o presidente da junta de pinheiro de espada ao ombro às mais altas esferas .
    Isto tem que acabar. A justiça tem que actuar rapidamente.
    O país não aguentará. O Povo vai acabar por revoltar-se.
    Bom deste povo já pouco se pode esperar, é demasiado brando, tem sangue de barata..
    Jacinta | 08.11.2009 | 14.48Hdenunciar comentário
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  • A Isabel Alçada vai lançar brevemente os livros: "Uma Aventura no Governo", "Uma Aventura no Ministério da Educação", "Uma Aventura com a Fenprof".
    ... | 05.11.2009 | 15.27Hdenunciar comentário
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  • 05.11.2009 | 05.56Hcomentário reprovado
  • Faltou...um (NUNCA...) Obs. Nunca, nunca, nunca mais...
    Barrabás | 03.11.2009 | 19.45Hdenunciar comentário
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  • Nunca mais voltas ao Cais...Nunca, nunca mais...
    Barrabás | 03.11.2009 | 19.44Hdenunciar comentário
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  • Sem pretender dizer algo contra esta Senhora o que o País precisa é de ter no GOVERNO homens de negócios capazes...e não pessoas que a maioria de nós não admitiria numa sua Industria, nem para encarregados de secção. Assim andaremos sempre aos papeis....não se nota...e já lá vão mais de trinta anos?
    Vitríolo | 03.11.2009 | 12.03Hdenunciar comentário
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