Nobel diz que salvar empresas em crise é "má ideia"
O matemático israelita Robert Aumann, Prémio Nobel da Economia em 2005, considerou hoje que é uma "má ideia" promover pacotes de medidas destinados a salvar as empresas durante a crise.
"São uma má ideia porque dão um sinal equívoco, no sentido em que quando a tua empresa ganha, ganhas dinheiro, mas se perde, o governo vai a correr ajudar-te", afirmou Aumann, numa conferência dedicada ao tema "A crise económica e o que sobra dela", que decorreu em Santiago do Chile.
Aumann, que partilhou o Nobel da Economia com Thomas Schelling em 2005, foi convidado para aquela conferência pela Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile.
O matemático israelita recordou que na actual crise, sobretudo nos Estados Unidos, várias empresas (como a General Motors, a Chrysler e várias instituições financeiras) foram beneficiadas com planos de resgate do governo, que quis evitar o colapso de empresas consideradas fundamentais para o sistema económico norte-americano.
No entanto, esses resgates, afirmou, podem acarretar graves problemas no longo prazo e são produto de uma visão de curto prazo do actual governo norte-americano, "mais focado nas eleições (que acontecem) dentro de três anos mas não no que pode acontecer no longo prazo".
Para Aumann, é necessário regular o risco que as empresas podem tomar, bem como promover a competência, evitar as práticas de monopólio e operar de forma transparente.



