Sindicato MP defende esclarecimento de caso de escutas a Sócrates
O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público defende que o caso de eventuais escutas de conversas do primeiro-ministro "deve ser esclarecido", embora desconheça se há fundamento para o procurador-geral da República quebrar o segredo de Justiça.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou esperar que o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, esclareça, como prometeu, se é possível num Estado de Direito ser pessoalmente escutado "meses a fio", com as suas conversas privadas a serem gravadas e transcritas, ao ser confrontado pelos jornalistas com o teor das suas conversas telefónicas com o seu amigo Armando Vara, arguido no processo Face Oculta.
Sócrates criticou a forma como tem sido tratado o ponto referente às suas conversas telefónicas com o ex-ministro socialista Armando Vara e que, segundo o semanário Sol, incidiram entre outras matérias sobre a compra da TVI pela PT.
Instado pela agência Lusa a comentar as declarações do chefe do Governo, o secretário-geral do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, Rui Cardoso, referiu que "o primeiro-ministro é igual a qualquer cidadão", pelo que, como todas as pessoas, corre "o risco de, ao falar com alguém que está a ser alvo de uma investigação, as conversas telefónicas estarem a ser escutadas".
O magistrado lembrou que a lei "permite que uma escuta produzida num processo seja aproveitada noutro que já exista ou venha a existir", acrescentando que "não detecta qualquer vício" nas escutas porque "foram apresentadas a controlo do juiz de instrução", com competências legais para autorizar a PJ a efectuar uma intercepção telefónica durante a investigação de um crime.
Rui Cardoso, que falava sexta-feira à noite, em Lisboa, à margem de um jantar de homenagem ao antigo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público António Cluny, entende que "o assunto" das eventuais escutas ao primeiro-ministro no processo Face Oculta "deve ser esclarecido".
"Mas desconheço se há ou não fundamento para o procurador-geral da República (PGR) quebrar o segredo de Justiça e comentar o processo", ressalvou, recordando que a lei permite que ele possa quebrar o segredo de Justiça em casos excepcionais.
Segundo informações confirmadas pelo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, o nome do primeiro-ministro, José Sócrates, apareceu nas escutas a Armando Vara no âmbito do processo Face Oculta, que investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.
O Expresso on-line avançou terça-feira que o Supremo Tribunal de Justiça "já decidiu decretar a nulidade da certidão" que envolve as escutas em que aparece o primeiro-ministro, tendo Pinto Monteiro esclarecido que só "prestará declarações" sobre o assunto "depois de analisar os elementos que solicitou à Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra e que ainda não recebeu".
O processo Face Oculta conta com 15 arguidos, incluindo o presidente da REN-Redes Eléctricas Nacionais, José Penedos, e Armando Vara, que suspendeu as suas funções de vice-presidente do Millenium/BCP.



2 comentários
(*) O terreno está a ficar muito escorregadio: será do tempo em que a (geada..."não disse jiihad..." pode começar a "envidraçar" as nossas Vias
(*) O terreno está a ficar muito escorregadio: será do tempo em que a (geada..."não disse jihad..." pode começar a "envidraçar" as nossas Vias...?