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internacional

Grupo empresarial abandona intenção de comprar Universidade

16 | 11 | 2009   14.40H

Vítor Martins, responsável da Euroar, empresa de componentes para ar condicionado sedeada em Mafra, assumiu o interesse em adquirir a Universidade Internacional, frisando que nesse sentido foi apresentado um projecto à tutela e iniciadas negociações com a administração dos estabelecimentos de ensino.

O contrato-promessa pressupunha, entre outros pontos, a aceitação do projecto por parte do Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) - que determinou o encerramento compulsivo da instituição com efeitos a 31 de Outubro último - e a realização de uma auditoria à sociedade detentora dos alvarás.

“Foi aqui que começaram os problemas. Estivemos sempre à espera de dados sobre a contabilidade no seu todo e isso nunca nos foi dado”, revelou hoje à agência Lusa Vítor Martins.

Classificou de “muito difíceis” as reuniões com os “principais dirigentes” da Sociedade Internacional de Promoção de Ensino e Cultura (SIPEC), que não nomeou, criticando a actuação dos seus responsáveis.

“Quiseram vender-nos um embrulho sem dizer o que estava lá dentro. Ora, ninguém vai comprar uma coisa no abstracto sem saber o que vai comprar, não é possível fazer negócio com gente desta natureza”, desabafou.

Outros dados, como a apresentação do Modelo 22, a declaração de rendimentos em sede de IRC “iam chegando a conta-gotas” e os números relativos ao passivo da SIPEC - estimado em cerca de quatro milhões de euros por Javier Vigo, presidente do conselho de administração da sociedade - “não eram os que havia na realidade”, disse Vítor Martins.

A sociedade proprietária, disse, tem dívidas ao fisco, Segurança Social, docentes e banca e outros pagamentos em falta, relativos a processos em tribunal, adiantou.

“Já foi condenada em alguns e que nunca pagou, são centenas largas de milhares de euros. Não nos foi dito nada nem estava evidenciado na contabilidade”, sustentou.

As dúvidas estendem-se à propriedade das acções da SIPEC, concretamente a parte (36 por cento) que pertence à denominada Fundação Republicana, cuja titularidade Vítor Martins afirma desconhecer.

“Da nossa parte não houve qualquer ruptura nas negociações, fomos sim condicionados pela actuação da direcção da SIPEC, toda esta situação deixou-nos um bocado perplexos”, argumentou.

O projecto da Euroar tinha na base uma estratégia de internacionalização do grupo empresarial, nomeadamente visando os países de expressão portuguesa e destinava-se ainda a suprir as “carências muito grandes” de formação em Portugal ao nível de quadros médios.

O grupo pretendia reestruturar a oferta formativa da Universidade Internacional de Lisboa e Figueira da Foz e o Instituto Superior Politécnico Internacional.

Na sexta-feira, ainda segundo Vítor Martins, o projecto de viabilização da Universidade Internacional foi definitivamente abandonado após o veto final do MCTES.

“Recebemos uma carta do gabinete do senhor Ministro a dizer que o processo está encerrado e que a Universidade Internacional está impedida de exercer. Lamento imenso porque o nosso interesse era adquirir uma universidade que já estivesse no mercado, a trabalhar”, referiu.

“Acabou e agora não há mesmo hipótese, fim de questão”, acrescentou.

A agência Lusa tentou ouvir Javier Vigo, o que não foi possível em tempo útil.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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