Livia Tirone: há 20 anos a defender o ambiente em Portugal
Joaquim Reis, da agência Lusa
Livia Tirone trabalha há vinte anos na construção sustentável, tendo integrado a Task Force Environment and Sustainable Architecture para o Conselho de Arquitectos da Europa, contribuindo para a elaboração da directiva para a eficiência energética nos edifícios.
Aos 48 anos, esta arquitecta bioclimática não se considera “uma guerreira do clima”, mas é com teimosia de uma protectora do ambiente que desenvolve projectos em empreendimentos com objectivos de desempenho energético ambiental e sustentabilidade social.
“A minha empresa já colocou no mercado mais de duzentas casas nos últimos vinte anos. Todas elas bioclimáticas: nunca precisaram de aquecimento no Inverno e nunca vão precisar de arrefecimento no Verão”, disse.
A construção sustentável de casas amigas do ambiente com todo o conforto de que um lar necessita é, segundo afirma, uma forma de implementar um conceito que tem de ser alargado à sociedade em geral: desempenho energético ambiental.
Segundo Livia Tirone, para que esta mudança seja efectivada, através da implementação das energias renováveis na sociedade, há importantes passos a dar a nível político.
“À escala política, há passos importantes a dar, o que também passa pela política local. Os municípios têm um grande poder de intervenção neste nível, vão ter cada vez mais responsabilidade em termos [da redução] de emissões de dióxido de carbono”, disse a engenheira bioclimática.
Segundo Livia Tirone, Portugal é provavelmente o país da Europa com maior número de horas de sol por dia, mas, comparando com países como a Alemanha, que tem menor exposição solar, o nosso país explora menos este recurso.
“O nosso recurso endógeno da energia renovável do Sol tem que estar muito mais acessível às pessoas. O solar térmico, os painéis que aquecem água quente, estão acessíveis, mas o solar fotovoltáico não está, e é muito difícil estar”, disse.
A arquitecta acredita que a implementação deste tipo de energias na sociedade depende da descentralização dos negócios desta área.
“A produção de electricidade tem de ser descentralizada, tem de ser na sua casa. A rede tem de ser nossa parceira e tem de funcionar bidireccionalmente. Tem de receber quando temos mais electricidade para dar, e tem de dar quando nós precisamos dela”, considerou.
“Tudo isto é um processo de evolução que tem de acontecer com todos os actores, à escala internacional, nacional e local. É preciso ser um processo compacto e rápido para se ter acesso a essa riqueza. Temos direito a ser um país rico e próspero e efectivamente temos as condições para isso. Precisamos é que nos deixem ser ricos e que nos deixem ter acesso a estas riquezas”, adiantou.





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