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São Tomé e Príncipe

Comissão militar conjunta com a Nigéria não é prioridade

23 | 12 | 2009   20.20H

Rafael Branco considerou que o assunto “não é prioridade para o actual contexto político”, tendo, no âmbito das discussões com as autoridades nigerianas, durante a sua recente deslocação à Nigéria, prometido “reflectir sobre o processo”, que na sua opinião ainda “vai levar tempo”.

“Nós explicámos claramente às entidades nigerianas as razões pelas quais nós não gostaríamos de criar essa comissão já", disse Rafael Branco à saída da votação do Orçamento do Estado são-tomense, hoje em São Tomé, "porque temos uma perspectiva sub-regional e isso tem custos extremamente elevados”.

A imprensa nigeriana noticiou na terça-feira um comunicado conjunto dando conta de conversações entre o vice-Presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, e o primeiro-ministro são-tomense, Rafael Branco, para a criação de uma Comissão Militar Conjunta de Defesa para manter condições de segurança no Golfo da Guiné, onde se encontra a área de exploração de petróleo dos dois países.

"Se for permitida a manutenção da situação [de insegurança] sem que seja criado um mecanismo para impedir as atrocidades, pode ser criada uma ameaça à nossa segurança nacional", refere o comunicado divulgado pelos dois países, que partilham a Zona de Desenvolvimento Conjunto (ZDC) petrolífera, onde actualmente decorrem trabalhos de prospecção.

A Comissão, prevista no acordo da ZDC, "deve tornar-se imediatamente operacional para que possamos enfrentar os desafios de segurança na nossa fronteira marítima comum", criando condições de "segurança para as empresas petrolíferas que operam" na zona, afirmou o vice-presidente nigeriano, citado pelo diário Guardian da Nigéria.

Rafael Branco confirmou hoje o desejo de as autoridades nigerianas de ver essa comissão militar constituída o mais depressa possível, mas lembra que o seu país não dispõe de recursos humanos e financeiros para desenvolver já o projecto.

“A criação dessa força exige o país apetrechar-se de meios militares modernos, e eu disse à parte nigeriana que nós não dispomos de uma lancha para vigiar a nossa zona costeira", esclareceu. "Como é que vamos entrar em investimentos de fragatas?", questionou. "Não, não podemos.”

“É preciso repensar nas condições de um acordo dessa natureza”, disse Rafael Branco, sublinhando as autoridades nigerianas que concordaram em voltar a remeter a proposta para discussão “nos próximos tempos”.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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